segunda, 17 de agosto de 2026
07/07/2026

O DESPACHANTE ADUANEIRO: IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA NO COMÉRCIO EXTERIOR E OS DESAFIOS DA ATUALIZAÇÃO PROFISSIONAL NA ERA DIGITAL


Autor: Marcio Alexandre Victorino

RESUMO

      O despachante aduaneiro ocupa papel central no fluxo do comércio internacional, atuando como intermediário entre os operadores de comércio exterior e os órgãos governamentais responsáveis pelo controle aduaneiro. Este artigo analisa a importância histórica e contemporânea dessa profissão para a economia brasileira, destacando suas atribuições legais, competências técnicas e relevância operacional. Ao mesmo tempo, examina os impactos da transformação digital, em especial a automação de processos, a implementação do Portal Único de Comércio Exterior e o uso de inteligência artificial, sobre o mercado de trabalho do despachante aduaneiro. Conclui-se que, embora a profissão mantenha sua relevância, encontra-se em processo de reconfiguração, exigindo atualização contínua por parte dos profissionais sob pena de obsolescência.

     Palavras-chave: Despachante aduaneiro. Comércio exterior. Aduana. Transformação digital. Atualização profissional.

 

ABSTRACT

     The customs broker plays a central role in the flow of international trade, acting as an intermediary between foreign trade operators and government agencies responsible for customs control. This article analyzes the historical and contemporary importance of this profession to the Brazilian economy, highlighting its legal attributions, technical competencies, and operational relevance. At the same time, it examines the impacts of digital transformation, especially process automation, the implementation of the Single Foreign Trade Portal, and the use of artificial intelligence, on the customs broker's labor market. It is concluded that, although the profession retains its relevance, it is undergoing a reconfiguration process, requiring continuous updating by professionals under penalty of obsolescence.

     Keywords: Customs broker. Foreign trade. Customs. Digital transformation. Professional updating.

 

INTRODUÇÃO

      O comércio internacional é um dos pilares do desenvolvimento econômico moderno, responsável por bilhões de dólares em transações diárias ao redor do mundo. No Brasil, país reconhecido como uma das maiores economias emergentes do planeta, o setor de comércio exterior movimenta valores expressivos e demanda uma infraestrutura humana e tecnológica robusta para seu funcionamento adequado. Nesse contexto, o despachante aduaneiro surge como figura indispensável, atuando na interface entre as empresas importadoras e exportadoras, a Receita Federal do Brasil e os demais órgãos anuentes.

     Diante desse panorama, o presente artigo tem por objetivo analisar a importância estratégica do despachante aduaneiro para o comércio exterior brasileiro, ao mesmo tempo em que problematiza os desafios impostos pela transformação digital e a necessidade imperativa de atualização profissional.

     Nesse contexto, o problema de pesquisa que orienta este estudo consiste em verificar se, diante da digitalização dos processos aduaneiros, da automação de tarefas e da utilização crescente de ferramentas tecnológicas, o despachante aduaneiro estaria se tornando uma profissão obsoleta ou se estaria passando por um processo de reconfiguração de suas funções no comércio exterior.

     Parte-se da hipótese de que o despachante aduaneiro não perde sua relevância na era digital, mas tem sua atuação transformada. Assim, embora determinadas atividades operacionais e documentais possam ser automatizadas, permanecem indispensáveis o conhecimento técnico, jurídico, tributário e estratégico desse profissional, especialmente para garantir segurança, conformidade legal, eficiência operacional e competitividade às empresas importadoras e exportadoras.

     Para alcançar esse objetivo, utiliza-se como metodologia a revisão bibliográfica e a análise da legislação pertinente, com enfoque na origem e regulamentação da profissão, na importância econômica, jurídica e operacional do despachante aduaneiro e nos impactos da transformação digital sobre sua atuação profissional.

     A profissão de despachante aduaneiro possui raízes históricas profundas no Brasil, regulamentada por legislação específica e reconhecida pelo Estado como atividade de interesse público. Sua atuação abrange desde a classificação de mercadorias segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) até a gestão de licenças de importação e o acompanhamento de despachos aduaneiros perante o Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX).

     Entretanto, nas últimas décadas, o avanço tecnológico tem redefinido profundamente o ambiente de trabalho do despachante aduaneiro. A digitalização dos processos, a criação do Portal Único de Comércio Exterior (PUCOMEX) e a crescente automatização de tarefas outrora manuais colocam em xeque a trajetória tradicional desse profissional. Surge, assim, um cenário paradoxal: ao mesmo tempo em que a profissão permanece essencial, os profissionais que não se adaptarem às novas exigências correm o risco de se tornarem obsoletos.

     Diante desse panorama, o presente artigo tem por objetivo analisar a importância do despachante aduaneiro para o comércio exterior brasileiro, ao mesmo tempo em que problematiza os desafios impostos pela transformação digital e a necessidade imperativa de atualização profissional. Para tanto, utiliza-se de revisão bibliográfica e análise de legislação pertinente.

 

 1 ORIGEM E REGULAMENTAÇÃO DA PROFISSÃO

     A figura do despachante aduaneiro no Brasil remonta ao período colonial, quando agentes intermediaram as transações comerciais entre a Coroa Portuguesa e os comerciantes locais nos portos brasileiros. Com o desenvolvimento do comércio e a institucionalização do aparato estatal, essa figura foi gradualmente formalizada e regulamentada1.

     Nesse contexto histórico, Loureiro (2012) observa que a intermediação nos portos coloniais não era mero facilitismo burocrático, mas exercia função estrutural no sistema mercantil português, uma vez que a complexidade das normas régias exigia agentes especializados capazes de transitar entre o interesse privado dos comerciantes e as exigências fiscais da Coroa. A evolução dessa prática, ao longo dos séculos, espelha o próprio amadurecimento do Estado brasileiro e de suas instituições aduaneiras.2

     A regulamentação moderna da profissão está consolidada no Decreto-Lei nº 2.472/1988 e na Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº 650/2006, que estabelecem as condições para habilitação, os direitos, os deveres e as penalidades aplicáveis ao despachante aduaneiro. Para exercer a profissão, o profissional deve ser registrado junto à Receita Federal, comprovando idoneidade moral, ausência de antecedentes criminais relacionados a crimes aduaneiros e conhecimento técnico específico na área.

     Sobre o arcabouço normativo que disciplina a atividade, Meira e Claro (2015) ressaltam que a exigência de habilitação perante a Receita Federal não constitui mera formalidade administrativa, mas representa uma garantia ao Estado e aos particulares de que o profissional possui as condições técnicas e morais necessárias ao manejo de operações que envolvem interesses fiscais relevantes.

 

1  LOUREIRO, Cesar. Direito Aduaneiro Brasileiro. São Paulo: IOB, 2012, p. 47-52.

2  LOUREIRO, Cesar. Direito Aduaneiro Brasileiro. São Paulo: IOB, 2012, p. 47-52.

 

     Trata-se, segundo os autores, de um filtro seletivo que confere credibilidade ao sistema de controle aduaneiro como um todo3.

     Cabe ainda mencionar que o despachante aduaneiro atua como mandatário de seus clientes, estando habilitado a representá-los perante a Receita Federal do Brasil e demais órgãos da administração pública federal.4 Essa relação de mandato confere ao profissional responsabilidades civis e administrativas relevantes, tornando imprescindível o domínio do arcabouço legal e normativo que rege o comércio exterior brasileiro.5

     Quanto à natureza jurídica do vínculo entre o despachante e seu cliente, Trevisan aponta que a relação de mandato que permeia essa atividade implica a transferência de poderes de representação, sujeitando o profissional às regras do Código Civil relativo ao contrato de mandato em especial no que tange aos deveres de lealdade, prestação de contas e atuação nos estritos limites dos poderes outorgados. Descumpridas as obrigações, o despachante responde civil e administrativamente pelos danos causados ao mandante e eventualmente ao erário.6

     No mesmo sentido, Carlucci acrescenta que a responsabilidade do despachante não se esgota na esfera civil, podendo alcançar a dimensão administrativa quando houver participação, mesmo que culposa, em infrações aduaneiras praticadas no interesse do importador ou exportador.7

 

3 MEIRA, Liziane Angelotti; CLARO, Carlos Roberto. Tributos sobre o Comércio Exterior. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 213-215.

4 BRASIL. Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Dispõe sobre o imposto de importação e dá outras providências. Brasília, DF: Presidência da República, 1966. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del0037.htm. Acesso em: 06 jun. 2026.

5 BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 2.090, de 30 de junho de 2022. Dispõe sobre o credenciamento de representantes de intervenientes nas operações de comércio exterior. Brasília, DF: Receita Federal do Brasil, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/receitafederal. Acesso em: 06 jun. 2026.

6 TREVISAN, Rosaldo. Temas Aprofundados de Direito Aduaneiro. 2. ed. Salvador: JusPodivm, 2016, p. 89-94.

7 CARLUCCI, José Lence. Uma Introdução ao Direito Aduaneiro. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2011, p. 134-138.

 

2 IMPORTÂNCIA DO DESPACHANTE ADUANEIRO PARA O COMÉRCIO EXTERIOR

     O despachante aduaneiro exerce papel essencial no comércio exterior, pois atua como intermediário especializado entre as empresas e a Administração Aduaneira. Sua função consiste em assegurar que as operações de importação e exportação sejam realizadas em conformidade com a legislação vigente, reduzindo riscos e proporcionando maior segurança jurídica aos operadores do comércio internacional. Segundo José Eduardo Soares de Melo, a complexidade das normas aduaneiras exige a atuação de profissionais qualificados para garantir a regularidade das operações.8

     A importância desse profissional vai além do cumprimento de formalidades burocráticas. O despachante aduaneiro orienta empresas sobre procedimentos legais, documentação necessária e exigências tributárias, contribuindo para a prevenção de erros que possam gerar multas, atrasos ou prejuízos financeiros. Para Paulo Henrique Cremoneze, a atuação técnica especializada é fundamental para assegurar eficiência e segurança nas operações de comércio exterior. 9

     Além disso, o despachante aduaneiro contribui diretamente para a competitividade das empresas. Ao auxiliar na redução de custos operacionais e na agilização dos processos aduaneiros, esse profissional favorece a inserção das organizações brasileiras no mercado internacional. Conforme destaca Vera Thorstensen, a eficiência dos procedimentos aduaneiros é um fator determinante para o fortalecimento do comércio exterior e para o desenvolvimento econômico dos países.10

     Dessa forma, a relevância do despachante aduaneiro pode ser analisada sob diferentes perspectivas, especialmente econômica, jurídica, operacional e estratégica. Cada uma dessas dimensões evidencia a contribuição desse profissional para a segurança, eficiência e competitividade das operações de importação e exportação. Segundo Fábio Pallaretti Calcini, a adequada gestão aduaneira tornou-se elemento indispensável para o sucesso das empresas que atuam no comércio internacional. 11

 

8 MELO, José Eduardo Soares de. Tributação no Comércio Exterior. São Paulo: Dialética, 2021.

9 CREMONEZE, Paulo Henrique. Direito Aduaneiro e Comércio Exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2020.

10 THORSTENSEN, Vera. OMC e as Regras do Comércio Internacional. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2018.

 

2.1 Perspectiva Econômica

     Do ponto de vista econômico, o despachante aduaneiro contribui diretamente para a eficiência das operações de comércio exterior. Ao garantir que as mercadorias sejam desembaraçadas de forma ágil e em conformidade com as normas vigentes, esse profissional evita atrasos que poderiam gerar custos adicionais para as empresas, como armazenagem prolongada, multas por descumprimento de prazos e perda de competitividade no mercado.12

     Conforme leciona José Eduardo Soares de Melo, a dinâmica do comércio internacional exige a observância rigorosa das formalidades aduaneiras, pois a ineficiência nos procedimentos de controle repercute diretamente na elevação dos custos operacionais suportados pelos agentes econômicos. 13

     Para compreender a dimensão desse impacto, é necessário considerar que o comércio exterior envolve uma cadeia logística complexa, na qual cada etapa tem reflexo direto nos custos finais do produto. Um erro na classificação fiscal de uma mercadoria, por exemplo, pode resultar em tributos pagos a maior ou em autuações fiscais que comprometem o fluxo de caixa da empresa importadora ou exportadora. Da mesma forma, a apresentação incorreta de documentos pode reter cargas em zonas alfandegárias por dias ou semanas, gerando despesas com armazenagem que, em muitos casos, superam o valor dos próprios impostos devidos. Nesse sentido, Hugo de Brito Machado destaca que a correta interpretação e aplicação das normas tributárias aduaneiras constituem elemento essencial para a segurança jurídica das operações internacionais, evitando contingências fiscais e prejuízos econômicos aos operadores do comércio exterior.14

 

11 CALCINI, Fábio Pallaretti. Direito Aduaneiro Contemporâneo. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.

12 MELO, José Eduardo Soares de. Tributos Federais, Estaduais e Municipais. São Paulo: Dialética, 2021.

13 CALCINI, Fábio Pallaretti. Direito Aduaneiro Contemporâneo. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.

14 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 43. ed. São Paulo: Malheiros, 2022.

 

     Segundo dados da Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais (SECEX), o Brasil movimentou mais de US$ 600 bilhões em corrente de comércio nos últimos anos, volume que exige precisão e expertise nos processos aduaneiros. Nesse contexto, o despachante aduaneiro funciona como um elo crítico na cadeia logística internacional, contribuindo para a redução do chamado "custo Brasil" no que tange à burocracia aduaneira. 15

     Vera Thorstensen observa que a competitividade internacional dos países depende não apenas da capacidade produtiva, mas também da eficiência dos mecanismos administrativos que regulam o fluxo de mercadorias entre fronteiras, sendo a simplificação aduaneira um dos principais fatores para a inserção competitiva no comércio global. 16

     Vale destacar que o conceito de "custo Brasil" engloba um conjunto de fatores estruturais que encarecem a produção e a comercialização de bens no país, como a elevada carga tributária, a infraestrutura deficiente e a complexidade burocrática. No campo aduaneiro, especificamente, esse custo se manifesta no tempo médio de liberação de cargas, que historicamente supera o de países concorrentes. 17

     A atuação qualificada do despachante aduaneiro é, portanto, uma das ferramentas disponíveis para mitigar esse problema, tornando os processos mais previsíveis e menos onerosos para o setor produtivo. Sobre o tema, Paulo Henrique Cremoneze sustenta que a eficiência logística e aduaneira representa fator decisivo para a competitividade das empresas brasileiras, uma vez que atrasos e entraves burocráticos podem comprometer contratos internacionais e elevar significativamente os custos da cadeia de suprimentos.18

 

15 THORSTENSEN, Vera. OMC - Organização Mundial do Comércio: As Regras do Comércio Internacional e a Nova Rodada de Negociações Multilaterais. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2018.

16 THORSTENSEN, Vera. OMC - Organização Mundial do Comércio: As Regras do Comércio Internacional e a Nova Rodada de Negociações Multilaterais. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2018.

17 CREMONEZE, Paulo Henrique. Direito Aduaneiro e Comércio Exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2020.

18 CREMONEZE, Paulo Henrique. Direito Aduaneiro e Comércio Exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2020.

 

     Além disso, a presença desse profissional tende a favorecer micro e pequenas empresas que desejam ingressar no mercado internacional, mas não dispõem de estrutura interna para lidar com a legislação aduaneira. Ao terceirizar essa função para um despachante habilitado, essas empresas ganham acesso a um conhecimento especializado que, de outra forma, exigiria investimentos significativos em treinamento e pessoal.19

     Isso democratiza, em certa medida, a participação no comércio exterior, ampliando o leque de agentes econômicos capazes de importar ou exportar com segurança jurídica e eficiência operacional. Segundo Luiz Roberto Peroba, a crescente complexidade regulatória do comércio internacional torna indispensável a atuação de profissionais especializados, especialmente para pequenas empresas que buscam expandir suas atividades além das fronteiras nacionais sem incorrer em riscos jurídicos desnecessários. 20

     Por fim, cabe ressaltar que a eficiência aduaneira tem impacto direto na competitividade das exportações brasileiras. Em um mercado global cada vez mais dinâmico, a capacidade de entregar produtos no prazo acordado e com custos previsíveis é um diferencial estratégico. O despachante aduaneiro, ao dominar os trâmites legais e operacionais do comércio internacional, contribui para que as empresas brasileiras possam cumprir seus compromissos externos com maior confiabilidade, fortalecendo a imagem do país como parceiro comercial. Nessa linha, Fábio Pallaretti Calcini afirma que a modernização dos procedimentos aduaneiros e a adequada assessoria especializada constituem instrumentos fundamentais para o fortalecimento da competitividade empresarial, favorecendo a integração do Brasil aos fluxos globais de comércio e investimentos.21

 

19 PEROBA, Luiz Roberto. Comércio Internacional e Tributação Aduaneira. São Paulo: Quartier Latin, 2019.

20 PEROBA, Luiz Roberto. Comércio Internacional e Tributação Aduaneira. São Paulo: Quartier Latin, 2019.

21 CALCINI, Fábio Pallaretti. Direito Aduaneiro Contemporâneo. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.

 

2.2 Perspectiva jurídica e tributária

     Sob o aspecto jurídico e tributário, o despachante aduaneiro exerce função de suma importância ao orientar seus clientes quanto à correta classificação fiscal das mercadorias e ao cumprimento das obrigações tributárias incidentes sobre as operações de importação e exportação. A classificação incorreta de uma mercadoria pode resultar em autuações fiscais, pagamento de tributos em duplicidade ou, em situações mais graves, na configuração de ilícitos aduaneiros e tributários passíveis de responsabilização administrativa, civil e penal. 22

     Conforme leciona José Eduardo Soares de Melo, a classificação fiscal constitui elemento central da sistemática aduaneira, uma vez que dela decorrem a definição da carga tributária, a aplicação de restrições administrativas e a observância de normas específicas de controle estatal sobre o comércio exterior. Dessa forma, a atuação especializada do despachante aduaneiro contribui para assegurar a legalidade das operações e minimizar riscos fiscais para importadores e exportadores. 23

     A correta classificação das mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) não se limita à identificação de um código tarifário, mas representa um mecanismo essencial para a aplicação adequada da legislação tributária e aduaneira. Segundo Hugo de Brito Machado, o princípio da legalidade tributária exige que a incidência dos tributos esteja estritamente vinculada aos critérios definidos em lei, razão pela qual qualquer erro na classificação fiscal pode comprometer a correta apuração dos tributos devidos e gerar relevantes consequências jurídicas para o contribuinte. Nesse contexto, o despachante aduaneiro atua como agente técnico responsável por garantir que a operação seja conduzida em conformidade com as exigências normativas vigentes. 24

     Além da correta classificação fiscal, o despachante aduaneiro desempenha papel fundamental na orientação acerca do cumprimento das obrigações acessórias exigidas pela legislação aduaneira brasileira. A elaboração adequada de documentos como faturas comerciais, conhecimentos de transporte, certificados de origem, licença de importação e exportação  e declarações aduaneiras reduz significativamente a ocorrência de exigências fiscais, retenções de mercadorias e aplicação de penalidades. 25

 

22 MELO, José Eduardo Soares de. Tributação no Comércio Exterior. São Paulo: Dialética, 2021.

23 MELO, José Eduardo Soares de. Tributação no Comércio Exterior. São Paulo: Dialética, 2021.

24 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 43. ed. São Paulo: Malheiros, 2022.

25 CREMONEZE, Paulo Henrique. Direito Aduaneiro e Comércio Exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2020.

 

     Para Paulo Henrique Cremoneze, a segurança jurídica das operações internacionais depende diretamente da observância rigorosa dos procedimentos documentais exigidos pela administração aduaneira, sendo indispensável a atuação de profissionais tecnicamente qualificados para assegurar a regularidade dos processos de importação e exportação. 26

     Nesse sentido, o profissional domina a aplicação da Tarifa Externa Comum (TEC), os regimes aduaneiros especiais, os acordos comerciais firmados pelo Brasil e os mecanismos de drawback, admissão temporária e exportação temporária, entre outros instrumentos que permitem às empresas otimizar seus custos e ampliar sua competitividade internacional. Conforme observa Vera Thorstensen, a utilização eficiente dos instrumentos de facilitação do comércio internacional constitui fator estratégico para a inserção competitiva das empresas nos mercados globais, especialmente em um cenário marcado pela crescente integração econômica entre os países e pela necessidade de redução dos custos transacionais relacionados ao comércio exterior. 27

     No âmbito dos regimes aduaneiros especiais, destaca-se a relevância do drawback, mecanismo que possibilita a suspensão, isenção ou restituição de tributos incidentes sobre insumos destinados à fabricação de produtos exportáveis. Tal instrumento representa importante política de incentivo às exportações brasileiras e exige conhecimento técnico aprofundado para sua correta utilização. 28

26 CREMONEZE, Paulo Henrique. Direito Aduaneiro e Comércio Exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2020.

27 THORSTENSEN, Vera. OMC e as Regras do Comércio Internacional. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2018.

28 PEROBA, Luiz Roberto. Comércio Internacional e Tributação Aduaneira. São Paulo: Quartier Latin, 2019.

 

     De acordo com Luiz Roberto Peroba, os regimes especiais constituem instrumentos de política econômica voltados à promoção da competitividade internacional das empresas nacionais, sendo imprescindível que sua aplicação ocorra em estrita conformidade com os requisitos legais para evitar questionamentos por parte da fiscalização aduaneira. 29

 

29 PEROBA, Luiz Roberto. Comércio Internacional e Tributação Aduaneira. São Paulo: Quartier Latin, 2019.

30 CALCINI, Fábio Pallaretti. Direito Aduaneiro Contemporâneo. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.

31 CALCINI, Fábio Pallaretti. Direito Aduaneiro Contemporâneo. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.

32 MELO, José Eduardo Soares de. Tributação no Comércio Exterior. São Paulo: Dialética, 2021.

 

     Da mesma forma, os regimes de admissão temporária e exportação temporária permitem a circulação internacional de bens por prazo determinado, com suspensão total ou parcial dos tributos incidentes, desde que observadas as condições estabelecidas pela legislação. A adequada utilização desses regimes demanda conhecimento técnico especializado acerca dos procedimentos aduaneiros e dos compromissos assumidos perante a autoridade fiscal. 30

     Nesse aspecto, Fábio Pallaretti Calcini, destaca que a complexidade normativa que caracteriza o comércio exterior contemporâneo exige uma atuação preventiva voltada à conformidade regulatória, permitindo que as empresas usufruam dos benefícios legais disponíveis sem incorrer em riscos de autuações ou sanções administrativas.31

     Por fim, a atuação do despachante aduaneiro transcende a mera intermediação documental, assumindo papel estratégico na governança tributária e na conformidade das operações internacionais. Ao orientar empresas quanto ao correto enquadramento legal das operações e à utilização dos instrumentos previstos na legislação aduaneira, esse profissional contribui para a redução de contingências fiscais, o fortalecimento da segurança jurídica e a promoção da competitividade empresarial. 32

     Conforme enfatiza José Eduardo Soares de Melo, a crescente complexidade do sistema aduaneiro brasileiro torna indispensável a presença de profissionais especializados capazes de harmonizar os interesses econômicos dos operadores privados com as exigências legais impostas pelo Estado. 33

 

2.3 Perspectiva Operacional e Estratégica

     Sob a perspectiva operacional, o despachante aduaneiro exerce função indispensável na condução dos procedimentos relacionados ao despacho de mercadorias. Sua atuação compreende a elaboração, conferência e gerenciamento de documentos essenciais às operações de importação e exportação, assegurando o cumprimento das exigências estabelecidas pela legislação aduaneira. Para José Eduardo Soares de Melo, a complexidade normativa do comércio exterior exige profissionais especializados capazes de garantir a correta aplicação das normas que regulam a circulação internacional de mercadorias.34

     Além da gestão documental, o despachante aduaneiro atua como elo entre empresas, transportadores, terminais alfandegados e órgãos governamentais. Essa função permite maior integração entre os diversos agentes da cadeia logística internacional, contribuindo para a eficiência dos processos e para a redução de falhas operacionais. Segundo Paulo Henrique Cremoneze, a coordenação adequada das etapas logísticas é fator determinante para a segurança e fluidez das operações de comércio exterior. 35

     O acompanhamento do despacho aduaneiro junto à Receita Federal constitui outra atribuição de elevada relevância. A atuação preventiva do despachante possibilita o atendimento célere às exigências fiscais e administrativas, reduzindo atrasos e custos decorrentes da retenção de mercadorias. Nesse sentido, Fábio Pallaretti Calcini destaca que a conformidade aduaneira representa elemento essencial para a mitigação de riscos regulatórios e para a eficiência operacional das empresas. 36

 

33 MELO, José Eduardo Soares de. Tributação no Comércio Exterior. São Paulo: Dialética, 2021.

34 MELO, José Eduardo Soares de. Tributação no Comércio Exterior. São Paulo: Dialética, 2021.

35 CREMONEZE, Paulo Henrique. Direito Aduaneiro e Comércio Exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2020.

 

     Sob o enfoque estratégico, o despachante aduaneiro deixou de desempenhar apenas funções burocráticas, assumindo papel relevante na tomada de decisões empresariais relacionadas ao comércio exterior. Seu conhecimento técnico permite identificar oportunidades de otimização tributária e operacional, contribuindo para o aumento da competitividade das organizações. Conforme observa Vera Thorstensen, a adequada utilização dos instrumentos regulatórios do comércio internacional constitui importante vantagem competitiva para as empresas inseridas no mercado global. 37

     Empresas que contam com despachantes aduaneiros experientes tendem a reduzir seus lead times de importação e exportação. A previsibilidade dos procedimentos aduaneiros e a diminuição dos entraves burocráticos favorecem a redução de custos logísticos e o cumprimento dos prazos contratuais. Para Luiz Roberto Peroba, a eficiência aduaneira é fator decisivo para a inserção competitiva das empresas nas cadeias globais de valor. 38

     A atuação desse profissional também fortalece os programas de compliance e governança corporativa. Ao assegurar o cumprimento das normas tributárias e aduaneiras, o despachante contribui para a prevenção de passivos administrativos e fiscais. Segundo Hugo de Brito Machado, a observância preventiva da legislação constitui importante mecanismo de segurança jurídica para as atividades empresariais .39

 

36 CALCINI, Fábio Pallaretti. Direito Aduaneiro Contemporâneo. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.

37 THORSTENSEN, Vera. OMC e as Regras do Comércio Internacional. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2018.

38 PEROBA, Luiz Roberto. Comércio Internacional e Tributação Aduaneira. São Paulo: Quartier Latin, 2019.

39 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 43. ed. São Paulo: Malheiros, 2022.

 

     Dessa forma, o despachante aduaneiro ocupa posição estratégica no comércio internacional contemporâneo. Sua atuação combina conhecimento técnico, gestão operacional e conformidade regulatória, elementos indispensáveis para a competitividade e sustentabilidade das operações de importação e exportação. Como ressalta José Eduardo Soares de Melo, a especialização profissional tornou-se requisito fundamental para enfrentar os desafios impostos pela crescente complexidade do sistema aduaneiro brasileiro. 40

 

3 A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NO COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO

     A transformação digital chegou ao comércio exterior brasileiro de forma estrutural e irreversível. Desde a implantação do SISCOMEX, em 1993, os processos aduaneiros migraram progressivamente da lógica documental física para plataformas eletrônicas integradas, culminando com a implementação do Portal Único de Comércio Exterior — também denominado Portal Único Pucomex. 41

      Trevisan (2016) destaca que o SISCOMEX representou um marco divisório na história aduaneira brasileira, não apenas por informatizar procedimentos antes manuais, mas por inaugurar uma nova lógica de controle estatal sobre o fluxo de mercadorias, baseada no cruzamento eletrônico de dados e na redução da discricionariedade individual dos agentes fiscais. Para o autor, a digitalização dos processos aduaneiros não é um fenômeno meramente tecnológico, mas uma profunda mudança na gramática das relações entre o Estado e os operadores do comércio exterior.42

 

40 MELO, José Eduardo Soares de. Tributação no Comércio Exterior. São Paulo: Dialética, 2021.

41 TREVISAN, Rosaldo. Temas Aprofundados de Direito Aduaneiro. 2. ed. Salvador: JusPodivm, 2016, p. 89-94.

42 TREVISAN, Rosaldo. Temas Aprofundados de Direito Aduaneiro. 2. ed. Salvador: JusPodivm, 2016, p. 89-94.

 

     O Portal Único, desenvolvido no âmbito do Programa Brasileiro de Facilitação do Comércio (Procomex)43, tem por objetivo eliminar redundâncias documentais, integrar os diferentes órgãos anuentes em uma única plataforma e reduzir o tempo médio de liberação de cargas. A iniciativa alinha o Brasil às melhores práticas internacionais, em consonância com as diretrizes do Acordo sobre Facilitação do Comércio da Organização Mundial do Comércio (OMC) 44, do qual o país é signatário.

     Nesse contexto, Meira e Claro  apontam que a facilitação do comércio, na acepção moderna consagrada pelos organismos internacionais, não se resume à simplificação de procedimentos, mas pressupõe a harmonização normativa entre os países e a construção de ambientes regulatórios previsíveis e transparentes 45.

     O Portal Único do Comércio Exterior representa, sob essa perspectiva, não apenas uma modernização administrativa interna, mas um instrumento de inserção do Brasil em uma ordem comercial global cada vez mais exigente em termos de eficiência logística. Sosa 46 complementa esse raciocínio ao afirmar que a integração dos órgãos anuentes em plataforma unificada é condição indispensável para que o Brasil reduza seu endêmico custo de conformidade aduaneira historicamente superior à média dos países membros da OCDE, tornando-se mais competitivo na atração de fluxos de comércio e investimento. 47

 

43 PROCOMEX. Instituto Aliança Pró Modernização Logística de Comércio Exterior. São Paulo: Procomex, 2004. Disponível em: http://www.procomex.org.br. Acesso em: 06 jun. 2026.

44 BRASIL. Decreto n.º 9.326, de 3 de abril de 2018. Promulga o Acordo sobre Facilitação do Comércio, aprovado na Nona Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio, em Bali, em 7 de dezembro de 2013. Brasília, DF: Presidência da República, 2018. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/D9326.htm. Acesso em: 06 jun. 2026.

45 MEIRA, Liziane Angelotti; CLARO, Carlos Roberto. Tributos sobre o Comércio Exterior. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 301-305.

46 SOSA, Roosevelt Baldomir. A Aduana e o Comércio Exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2019, p. 178-183.

 

     Paralelamente à consolidação do Portal Único do Comércio exterior, tecnologias como inteligência artificial, machine learning, blockchain e análise de dados em tempo real passam a ser incorporadas aos processos aduaneiros, tanto pelos órgãos governamentais quanto pelas empresas privadas de assessoria em comércio exterior. Ferramentas de automação robótica de processos (RPA) já são utilizadas para triagem de documentos, classificação preliminar de mercadorias e monitoramento de canais de parametrização do despacho aduaneiro 48.

     Ribeiro e Ferreira acrescentam que o uso de blockchain nas cadeias logísticas internacionais confere maior rastreabilidade às operações e reduz a assimetria de informação entre operadores privados e autoridades aduaneiras, criando um ambiente de maior confiança e menor necessidade de intervenção fiscalizatória presencial. 49.

 

47 MEIRA, Liziane Angelotti; CLARO, Carlos Roberto. Tributos sobre o Comércio Exterior. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2015, p. 301-305.

48 PIMENTEL, Luiz Otávio (org.). Direito do Comércio Internacional: Aspectos Fundamentais. 3. ed. Florianópolis: Funjab, 2020, p. 215-219.

49WORLD ECONOMIC FORUM. The Future of Jobs Report 2020. Geneva: WEF, 2020. Disponível em: https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2020. Acesso em: 06 jun 2026 

 

     Sobre esse cenário de inovação tecnológica aplicada à aduana, Pimentel observa que a incorporação de algoritmos de inteligência artificial ao gerenciamento de risco aduaneiro tem potencial de elevar substancialmente a acurácia na seleção de cargas para fiscalização, permitindo que os órgãos de controle concentrem seus recursos humanos e materiais nos casos de maior probabilidade de irregularidade, sem prejuízo à fluidez do comércio legítimo.50

 

3.1 A defasagem do despachante aduaneiro: um alerta

     Diante desse cenário, emerge uma questão de crescente relevância no debate sobre o futuro das profissões: o despachante aduaneiro está se tornando obsoleto? A resposta não é simples, mas os indícios apontam para uma transformação profunda da natureza dessa atividade, exigindo postura proativa dos profissionais que desejam permanecer relevantes no mercado. 51.

     É inegável que diversas tarefas antes exclusivas do despachante passaram a ser executadas automaticamente por sistemas informatizados. A geração de Declarações de Importação, a parametrização eletrônica de canais aduaneiros e a consulta a bancos de dados de classificação fiscal, atividades que, em décadas anteriores, demandam horas de trabalho especializado são hoje executadas por softwares de gestão de comércio exterior em questão de minutos. 52.

     Esse fenômeno não é exclusivo da área aduaneira. O Fórum Econômico Mundial projeta que cerca de 85 milhões de postos de trabalho foram deslocados pela automação até 2025 em diversas indústrias. Contudo, o mesmo relatório estima a criação de 97 milhões de novos empregos voltados a funções que integram a interação entre humanos e tecnologia o que evidencia que a automação, mais do que eliminar profissões, reconfigura seu conteúdo e exige novas competências. 53

 

50 PIMENTEL, Luiz Otávio (org.). Direito do Comércio Internacional: Aspectos Fundamentais. 3. ed. Florianópolis: Funjab, 2020, p. 215-219.

52 SCHWAB, Klaus. A Quarta Revolução Industrial. São Paulo: Edipro, 2016.

53 TREVISAN, Rosaldo. Temas Aprofundados de Direito Aduaneiro. 2. ed. Salvador: JusPodivm, 2016.

54 WORLD ECONOMIC FORUM. The Future of Jobs Report 2020. Geneva: WEF, 2020. Disponível em: https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2020. Acesso em: 06 jun 2026

 

     No caso específico do despachante aduaneiro brasileiro, a defasagem profissional manifesta-se em três níveis distintos. O primeiro é o gap tecnológico: muitos profissionais, especialmente os de longa experiência, resistem à adoção de ferramentas digitais e continuam operando em modelos analógicos ou semi digitais, com perda progressiva de eficiência e competitividade. O segundo é o gap regulatório: as normas do comércio exterior brasileiro são notoriamente dinâmicas, com portarias, instruções normativas e acordos comerciais sendo publicados em ritmo acelerado, exigindo atualização constante. 54

     O terceiro é o gap estratégico: o mercado demanda profissionais capazes de oferecer, além do despacho em si, consultoria em logística internacional, gestão de riscos e planejamento tributário

      A convergência desses três gaps configura um cenário de risco real. Empresas de médio e grande porte já demonstram preferência por despachantes com domínio do Portal Único Comércio Exterior, experiência em análise de dados e capacidade de integração com sistemas ERP corporativos. 55

     Os profissionais que não correspondem a essas expectativas tendem a ser progressivamente excluídos dos contratos mais relevantes e rentáveis do mercado. Sosa já alertava que o perfil exigido do operador aduaneiro contemporâneo transcende o domínio técnico das normas, demandando uma combinação de letramento digital, capacidade analítica e visão estratégica que historicamente não integrava a formação tradicional desses profissionais.

 

54 SOSA, Roosevelt Baldomir. A Aduana e o Comércio Exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2019.

55 CARLUCCI, José Lence. Uma Introdução ao Direito Aduaneiro. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2011.

 

3.2 Caminhos para o reposicionamento profissional

     Reconhecer a necessidade de atualização é o primeiro passo, mas não é suficiente. Faz-se necessário identificar caminhos concretos pelos quais o despachante aduaneiro pode reposicionar-se no mercado e agregar valor diferenciado às suas entregas. Três eixos estruturam esse processo 56.

     O primeiro eixo é a formação continuada. Cursos de pós-graduação em comércio exterior, certificações internacionais como o Certified Customs Specialist (CCS), oferecido pelo NCBFAA Educational Institute (EUA), e programas de especialização em logística internacional ampliam o capital intelectual do profissional e sinalizam comprometimento com a excelência técnica. No âmbito nacional, a Feaduaneiros (Federação Nacional dos Despachantes Aduaneiros) e o Conselho Federal de Administração disponibilizam programas de desenvolvimento profissional específicos para a área. Pimentel ressalta que a velocidade das mudanças normativas e tecnológicas no setor torna insuficiente a formação inicial, exigindo um compromisso permanente com a atualização de conhecimentos. 57 

 

56 CARLUCCI, José Lence. Uma Introdução ao Direito Aduaneiro. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2011.

57 PIMENTEL, Luiz Otávio (org.). Direito do Comércio Internacional: Aspectos Fundamentais. 3. ed. Florianópolis: Funjab, 2020, p. 215-219.

 

     O segundo eixo é a capacitação tecnológica. O domínio de plataformas de gestão de comércio exterior como Tradeware, Logcomex e WinTrade, somado ao entendimento de análise de dados e automação de processos, habilita o profissional a oferecer serviços mais ágeis e precisos. A familiaridade com o Portal Único Comércio Exterior e suas atualizações contínuas é, nesse contexto, condição básica de empregabilidade. Ribeiro e Ferreira reforçam que o domínio dessas plataformas deixou de ser diferencial para se tornar requisito de inserção competitiva no mercado. 58

     O terceiro eixo é o desenvolvimento de competências consultivas. O despachante que se posiciona como consultor capaz de analisar a estrutura de custos de uma operação de importação, recomendar regimes aduaneiros especiais e orientar sobre acordos de livre comércio agrega valor que ultrapassa em muito a execução burocrática do despacho. Essa abordagem consultiva é dificilmente replicável por sistemas automatizados, pois demanda julgamento contextual e capacidade analítica tipicamente humanos. Loureiro já sustentava que a assessoria estratégica em comércio exterior exige uma visão sistêmica que integra conhecimento jurídico, logístico e tributário, combinação que nenhum algoritmo, até o momento, foi capaz de replicar com efetividade 59.

 

58 O Portal Único de Comércio Exterior foi instituído normativamente pelo Decreto nº 8.229, de 22 de abril de 2014, que alterou o Decreto nº 660/1992 e dispôs sobre os requisitos essenciais da plataforma, BRASIL. Decreto nº 660, de 25 de setembro de 1992. Institui o Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX. Brasília, DF: Presidência da República, 1992. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/d660.htm. Acesso em: 06 jun.

59 MEIRA, Liziane Angelotti; CLARO, Carlos Roberto. Tributos sobre o Comércio Exterior. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2015.

 

 CONSIDERAÇÕES FINAIS

     O despachante aduaneiro é uma peça-chave no funcionamento do comércio exterior brasileiro, uma profissão que atravessou décadas de evolução normativa e tecnológica mantendo sua relevância estratégica. Sua contribuição econômica, jurídica e operacional é inquestionável, e a complexidade do ambiente regulatório brasileiro, marcado pela multiplicidade de órgãos anuentes e pela frequência das alterações normativas, sustenta a demanda por profissionais qualificados nessa área.

     Entretanto, seria ingênuo ignorar os ventos de mudança que varrem a profissão. A automação de processos, a digitalização da aduana e a crescente sofisticação dos sistemas de gestão de comércio exterior estão redefinindo as fronteiras da atuação do despachante aduaneiro. Funções que antes justificavam o custo de profissionais especializados estão sendo progressivamente absorvidas por algoritmos e plataformas digitais.

     Nesse cenário, a profissão não está condenada ao desaparecimento mas está, sim, em processo acelerado de transformação. O despachante aduaneiro do futuro não será apenas um executor de despachos, mas um profissional analítico, tecnologicamente competente e estrategicamente posicionado como consultor de comércio exterior. Aqueles que reconhecerem essa realidade e investirem em formação continuada, capacitação tecnológica e desenvolvimento de competências consultivas estarão não apenas sobrevivendo à disrupção digital, mas prosperando com ela.

     O presente artigo tem por objetivo analisar a importância estratégica do despachante aduaneiro no comércio exterior brasileiro, especialmente diante dos desafios impostos pela transformação digital, pela automação dos processos aduaneiros e pela necessidade de atualização profissional.

     O problema central da pesquisa consistiu em verificar se, diante da digitalização do comércio exterior, o despachante aduaneiro estaria se tornando uma profissão obsoleta ou se estaria passando por um processo de reconfiguração de suas funções.

     A hipótese desenvolvida foi a de que o despachante aduaneiro continua sendo essencial para o comércio exterior, desde que acompanhe as transformações tecnológicas, domine os sistemas digitais e amplie sua atuação para além das tarefas meramente burocráticas.

     Dessa forma, conclui-se que a transformação digital não elimina a importância do despachante aduaneiro, mas modifica profundamente sua forma de atuação. As atividades repetitivas e documentais tendem a ser cada vez mais automatizadas, porém a interpretação da legislação, a classificação fiscal, a gestão de riscos, a orientação técnica e a atuação estratégica continuam exigindo conhecimento especializado.

     Assim, a solução para os desafios enfrentados pela profissão está na atualização contínua, na capacitação tecnológica e na adaptação às novas exigências do comércio exterior. O despachante aduaneiro que permanecer preso apenas aos métodos tradicionais poderá perder espaço; contudo, aquele que incorporar tecnologia, conhecimento jurídico, tributário e visão estratégica continuará sendo indispensável para a segurança, eficiência e competitividade das operações internacionais.

     Portanto, a hipótese confirma-se: o despachante aduaneiro não desaparece na era digital, mas se transforma. Sua permanência no mercado depende da capacidade de se adaptar às novas ferramentas, aos novos sistemas e às novas demandas das empresas que atuam no comércio exterior.

     A mensagem central deste artigo é, portanto, clara: a defasagem profissional do despachante aduaneiro não é inevitável, mas será o destino daqueles que escolherem a estagnação. Atualizar-se não é uma opção, é uma obrigação profissional e uma condição de relevância no mercado globalizado do século XXI.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Decreto-Lei nº 2.472, de 1º de setembro de 1988. Dispõe sobre a profissão de Despachante Aduaneiro. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1988.

BRASIL. Receita Federal do Brasil. Instrução Normativa RFB nº 650, de 12 de maio de 2006. Regulamenta as condições de habilitação do Despachante Aduaneiro. Brasília: RFB, 2006.

BRASIL. Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais. Balança Comercial Brasileira: dados consolidados. Brasília: SECEX, 2023.

CALCINI, Fábio Pallaretti. Direito Aduaneiro Contemporâneo. São Paulo: Thomson Reuters Brasil, 2021.

CARLUCCI, José Lence. Uma Introdução ao Direito Aduaneiro. 2. ed. São Paulo: Aduaneiras, 2011.

CREMONEZE, Paulo Henrique. Direito Aduaneiro e Comércio Exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2020.



Blog

Santa Catarina é o estado com menor índice de desemprego do país

Das 27 unidades da federação do país, 11 terminaram o segundo trimestre de 2026 com taxa de desemprego abaixo da média nacional, de 5,4%. Em cinco deles, o índice sequer chega a 3%.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada na manhã desta sexta-feira (14), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Veja quais estados atingiram nível de desemprego abaixo da média nacional:

Santa Catarina: 2,1%

Mato Grosso: 2,2%

Espírito Santo: 2,3%

Rondônia: 2,6%

Mato Grosso do Sul: 2,7%

Paraná: 3,1%

Minas Gerais: 3,8%

Goiás: 4,0%

Tocantins: 4,1%

Rio Grande do Sul: 4,2%

Roraima: 5,0%

Média Brasil: 5,4%

Paraíba: 5,4%

São Paulo: 5,4%

Rio Grande do Norte: 5,6%

Maranhão: 6,0%

Pará: 6,2%

Distrito Federal: 6,5%

Acre: 6,6%

Ceará: 6,6%

Rio de Janeiro: 7,1%

Amazonas: 7,5%

Alagoas: 7,9%

Sergipe: 7,9%

Piauí: 8,3%

Pernambuco: 8,3%

Bahia: 9,1%

Amapá: 9,8%

O analista da pesquisa, William Kratochwill, explica que a diferença entre os estados é proporcionada por fatores ligados aos níveis de industrialização, evolução da atividade econômica e de instrução da população.

"Santa Catarina e a região Sul como um todo apresentam níveis muito mais fortes que os estados do Norte e Nordeste", assinala.

Na média nacional, a taxa de 5,4% no segundo trimestre representa recuo em relação aos 6,1% do primeiro trimestre.

Já entre as unidades da federação, o desemprego diminuiu em 13 localidades. As demais ficaram estáveis.

Confira os estados que reduziram o desemprego no segundo trimestre.

Santa Catarina (-0,6 ponto percentual)

Maranhão (-0,9 p.p.)

Espírito Santo (-0,9 p.p.)

Mato Grosso (-0,9 p.p.)

Goiás (-1 p.p.)

Rondônia ( -1 p.p.)

Mato Grosso do Sul (-1,1 p.p.)

Minas Gerais (-1,2 p.p.)

Alagoas (-1,3 p.p)

Tocantins (-1,5 p.p.)

Acre (-1,6 p.p.)

Paraíba (-1,6 p.p.)

Rio Grande do Norte (-1,9 p.p.)

A pesquisa
A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.

Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

Queda no desemprego longo
De acordo com a Pnad, 1,06 milhão de pessoas enfrentavam o chamado desemprego longo, isto é, pessoas que estão à procura de vagas há dois anos ou mais. Esse é o menor contingente de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Em relação ao mesmo trimestre de 2025, a queda nesse contingente foi de 15,6%.

Negros e mulheres acima da média
O levantamento do segundo trimestre aponta ainda que o desemprego para homens (4,6%) ficou abaixo da média nacional, enquanto o das mulheres ficou acima (6,4%).

Ao observar os números pela cor da pessoa, a desocupação de pretos (6,9%) e pardos (6,1%) é maior que a média; enquanto o dos brancos, abaixo (4,2%).

A pesquisa do IBGE não utiliza o termo negro. Mas o Estatuto da Igualdade Racial considera população negra o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas. 

FIESC debate emissões de gases de efeito estufa da indústria catarinense

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) promove, no dia 18 de agosto, reunião do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade. Entre os principais temas da programação está a apresentação das Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) da Indústria Catarinense, que será conduzida por Charles Leber, consultor sênior do Instituto SENAI de Tecnologia Ambiental e coordenador do Hub de Descarbonização.

A discussão sobre as emissões de GEE integra a agenda da indústria catarinense voltada à descarbonização e à adoção de estratégias para reduzir impactos ambientais e ampliar a sustentabilidade dos processos produtivos. 

O encontro também aborda o tema “Áreas Contaminadas: desafios e perspectivas para a gestão ambiental”, com Gilberto Vilas Boas Souza, diretor da Merit Engenharia Ambiental.

Os presentes vão conferir apresentação do MBI em Descarbonização e Economia Verde do UniSENAI – SC, que será apresentado pelo coordenador do curso, profº  Matheus Krüeger, e pelo curador do curso, profº. Pedro Kraus.

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC

Gerência de Comunicação

Indústria têxtil busca velocidade para enfrentar avanço da ultra fast fashion

 

 A velocidade da ultra fast fashion está impondo uma nova régua de competitividade à indústria têxtil. O tema foi discutido nesta quinta-feira (13), em reunião do Conselho da Indústria Têxtil, Confecção, Couro e Calçados da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). O mercado global de ultra fast fashion deve mais que dobrar até 2033, passando de US$ 62,75 bilhões para US$ 160,91 bilhões.

Presidente do conselho, César Döhler destacou a pressão provocada pelo aumento das importações de vestuário e pelas compras em plataformas digitais. Para ele, a resposta passa por inovação e pela união da cadeia. “O setor têxtil é resiliente e tem capacidade de adaptação. Precisamos transformar os desafios em uma agenda de competitividade, inovação e valorização da indústria brasileira”, afirmou.

O presidente da Audaces, Matheus Fagundes, explicou que a competição deixou de ocorrer em ciclos de meses e passou a ser medida em semanas e até dias. Um dos exemplos apresentados mostra a diferença de escala: enquanto o mercado norte-americano lança cerca de 23 mil novos itens por ano, a China chega a 1,5 milhão.

“A competição se tornou uma questão de velocidade. A tecnologia é um meio para reduzir o tempo, integrar a cadeia e permitir decisões mais rápidas, com base em dados”, destacou Fagundes. Segundo ele, inteligência artificial, digitalização de processos e redução de estoques estão entre os caminhos para aumentar a produtividade.

O cenário também acende um alerta para o mercado brasileiro. Na Argentina, cerca de 70% das roupas vendidas já são importadas, exemplo utilizado para mostrar os riscos da perda de competitividade da indústria local. “Se a gente não for competitivo lá fora, o produto lá de fora vai ser competitivo aqui dentro”, resumiu Fagundes.

Em Santa Catarina, o impacto é significativo. O setor têxtil é o que mais emprega e o segundo em número de estabelecimentos na indústria estadual. Em 2023, concentrava 170.787 empregos formais, equivalentes a 18,9% da indústria catarinense. Em 2024, as exportações do segmento somaram cerca de US$ 288,6 milhões.

Além da tecnologia, o setor defende maior integração da cadeia, qualificação profissional, uso estratégico de dados, diversificação de mercados e aproximação com o consumidor. “A régua mudou. Não basta fazer o que funcionou no passado. É preciso ganhar velocidade e usar tecnologia para competir”, concluiu Fagundes.


Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

Portos de Imbituba e Laguna apresentam potencial logístico e oportunidades de negócios na feira Logistique 2026

Os Portos de Imbituba e Laguna participam, nesta semana, da 7ª edição da Feira de Logística, Intralogística, Transporte Multimodal e Comércio Internacional – Logistique 2026, que acontece de 11 a 13 de agosto, no Expocentro Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Os portos do sul catarinense estão presentes na área de exposições com um estande compartilhado com o Porto de São Francisco do Sul, onde apresentam suas potencialidades, infraestrutura, operações e oportunidades de negócios.

Localizado na Rua A, nº 106, o espaço institucional recebe visitantes, clientes, parceiros, autoridades e profissionais do setor ao longo dos três dias de evento. A participação é uma oportunidade para ampliar relacionamentos, apresentar as características dos complexos portuários e fortalecer conexões com empresas e agentes da cadeia logística. A entrada na feira é gratuita, das 13h às 20h.

Além da participação na área de exposições, no primeiro dia do evento, o Porto de Imbituba foi um dos destaques da programação do Logistique Summit, fórum que reúne representantes do setor produtivo, entidades empresariais e instituições públicas e privadas para discutir os principais desafios e oportunidades da logística e do comércio internacional.

Nesta terça-feira (11), o diretor-presidente dos Portos de Imbituba e Laguna, Christiano Lopes, participou do Painel 2, que abordou o tema “Como os Portos Brasileiros Podem Reduzir Custos e Aumentar a Competitividade das Exportações e Importações”. O encontro tratou de estratégias para ampliar a eficiência portuária e reduzir custos logísticos, com a participação de lideranças e representantes de diferentes segmentos relacionados ao comércio exterior.

“O Porto de Imbituba vive um grande momento. Em 2024, batemos recorde de movimentação e tiramos do papel obras fundamentais, algumas já entregues e outras em andamento. Estamos entregando uma nova estrutura logística para Santa Catarina e para o Brasil. Hoje, não temos gargalos, mas nosso desafio é concluir a mecanização das operações de cais, para aumentar ainda mais a produtividade. Estamos olhando para o futuro, mas fazendo muito bem o presente, com planejamento e previsibilidade”, afirmou Christiano Lopes, diretor-presidente dos Portos de Imbituba e Laguna, durante o painel.

Considerada uma das principais feiras do setor no Sul do Brasil, a Logistique 2026 reúne operadores logísticos, portos, terminais, transportadoras, importadores, exportadores e especialistas para promover o intercâmbio de conhecimento, estimular negócios e apresentar soluções voltadas à cadeia logística e ao comércio internacional.

Nesta edição, o evento tem como tema “Conexão de Soluções para a Logística Integrada e o Comércio Internacional: Inteligentes, Sustentáveis e Resilientes”, reforçando a proposta de aproximar diferentes atores e soluções para os desafios atuais do setor.

Comunicação Social dos Portos de Imbituba e Laguna  

JBS tem mais de 80 oportunidades de emprego no Sul Catarinense

A JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, está com mais de 80 vagas de emprego abertas para o cargo de Operador de Produção nas unidades industriais de Forquilhinha e Nova Veneza (SC). As oportunidades são para contratação imediata, não exigem experiência prévia e contam com três turnos de trabalho, com capacitação oferecida pela empresa. As vagas incluem pessoas com deficiência.


Para se candidatar, os interessados devem comparecer presencialmente nas unidades. As entrevistas são realizadas de segunda a quinta-feira, às 08h e às 13h. Não há necessidade de agendamento prévio e os candidatos também podem enviar o currículo por e-mail ou WhatsApp, nos endereços e contatos abaixo:

Forquilhinha:

Endereço: Av. 25 de Julho - Centro, Forquilhinha - SC, 88850-000
WhatsApp: 48 9168-3371
E-mail: heloizi.niehues@seara.com.br
 
Nova Veneza: 
Endereço: R. Alfredo Pessi, 2000 - Bortolotto, Nova Veneza - SC, 88865-000
Whatsapp: 48 9177-6520
E-mail: juliana.nascimento@seara.com.br
Para participar do processo seletivo, em todas as vagas, é necessário ter idade mínima de 18 anos. As oportunidades são oferecidas por meio do regime de contratação CLT, incluindo todos os benefícios previstos pela categoria. Profissionais interessados em fazer parte do banco de talentos da JBS, em todo o Brasil, também podem se cadastrar pelo site: www.jbs.com.br/carreiras.
 
Sobre a JBS
A JBS é uma empresa global líder em alimentos, com um portfólio diversificado de produtos de alta qualidade, incluindo frango, suínos, bovinos, cordeiros, peixes e proteínas vegetais. A companhia emprega mais de 282 mil pessoas e opera em mais de 20 países, como Brasil, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália. No mundo todo, a JBS oferece um amplo portfólio de marcas reconhecidas pela excelência e inovação, como Friboi, Seara, Swift, Pilgrim’s Pride, Moy Park, Primo, Just Bare, entre outras, que chegam diariamente à mesa de consumidores em 180 países. A empresa também investe em negócios correlatos, como couro, biodiesel, colágeno, fertilizantes, envoltórios naturais, soluções para gestão de resíduos sólidos, reciclagem e transporte, com foco na economia circular. 


Em Santa Catarina, a JBS mantém 25 fábricas distribuídas por todas as macrorregiões do estado. A companhia está entre as maiores empregadoras catarinenses, com cerca de 24 mil colaboradores diretos e operações em 24 municípios. Além das unidades da Seara e da JBS Novos Negócios, a empresa conta com uma unidade produtiva da Mantiqueira, quatro granjas, cinco incubatórios, três centros de distribuição, uma operação transportadora, duas operações portuárias e um Centro de Biotecnologia Avançada.
Saiba mais em jbsglobal.com.

 

Movecta avança em Itajaí e ganha espaço no mercado logístico nacional

A Movecta ampliou sua participação em Itajaí no primeiro semestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano passado, alcançando 18,9% de share em zona seca, além de crescimento de 18,4% em volume, segundo estudo elaborado pela empresa com base em dados da Logcomex*. A operação também se destacou pela evolução em setores estratégicos, com avanço superior a 40% em cadeia fria e acima de 23% em eletrônicos, reforçando uma trajetória de expansão sustentada por execução comercial e ganho de relevância operacional.

Os dados mostram que a Movecta vem ampliando sua presença em um mercado competitivo e fragmentado, com crescimento distribuído entre clientes e maior força em segmentos como cadeia fria e eletrônicos. O avanço em Itajaí reflete uma construção consistente de relacionamento com o mercado e de especialização operacional. Para Gustavo Paschoa, CCO da Movecta, “Itajaí é uma praça extremamente competitiva, então crescer com ganho de share e expansão distribuída em setores prioritários mostra a qualidade da nossa proposta de valor. Nossa prioridade é seguir ampliando presença, serviço e eficiência para transformar esse avanço em uma posição cada vez mais sólida”.
Com o resultado, a Movecta reforça sua estratégia de crescimento por ganho de participação, e não apenas por expansão do mercado. A companhia segue trabalhando para aprofundar sua presença comercial e consolidar novas frentes de negócio em uma das rotas mais relevantes para o comércio exterior brasileiro. 

Sobre a operação da Movecta em Itajaí

Presente na cidade desde 2004, a Movecta conta com Terminal CLIA e Armazém Geral, localizados a 7 km do Porto de Itajaí, 17 km do Porto de Navegantes e a 3 minutos da BR-101, o que favorece agilidade operacional e integração logística. A estrutura soma mais de 85 mil m² de área total, com 7.400 m² de armazenagem e 6.700 posições pallet; e se destaca em cadeia fria, com capacidade para inspeção de até 800 toneladas por dia de cargas refrigeradas para fiscalização do MAPA e armazenagem reefer. Soma-se a isso a atuação aduaneira em regimes como Entreposto Aduaneiro, DAC, Admissão Temporária e Regime Comum, além de soluções logísticas personalizadas, operações complexas e serviços de valor agregado, como etiquetagem, rotulagem, selagem, montagem de kits, paletização, gestão de inventário, picking e packing.
 
Movecta fortalece atuação em suas principais bases operacionais
Além do resultado em Itajaí, a Movecta vem fortalecendo sua posição em outras praças estratégicas. Em Suape, onde mantém uma operação relevante para o Nordeste, a companhia alcançou 56,32% de share no primeiro semestre de 2026 e cresceu 28,6% em volume movimentado. Esse desempenho é sustentado por uma atuação diversificada em segmentos como cadeia fria, químicos, maquinário, eletrônicos, bebidas e farmacêutico, combinada a investimentos em infraestrutura, tecnologia e ampliação da capacidade operacional. No escopo analisado pelo estudo, que inclui as operações de Santos, Guarujá, Suape, Itajaí e Navegantes, a Movecta cresceu 45,3% na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026, elevando sua participação no mercado total de 2,71% para 3,62% em três semestres. Os resultados reforçam uma trajetória de ganho de posição baseada em eficiência, especialização e expansão do relacionamento com os clientes.
 

Sobre a Movecta

Com 72 anos de atuação, a Movecta se consolidou como um provedor logístico preferencial no mercado brasileiro. A companhia possui operações concentradas nos estados de São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco, contando com oito unidades operacionais, das quais seis são terminais alfandegados, que somam mais de 450 mil metros quadrados de área disponível.
A Movecta é a única empresa do setor com terminais alfandegados localizados nos principais hubs marítimos de comércio exterior do país e se destaca por operar o único terminal alfandegado frigorificado do Porto de Santos. A empresa também tem forte atuação na logística de produtos químicos e mantém foco estratégico na oferta de soluções logísticas integradas para diversos segmentos, como bebidas, fármacos, eletrônicos, maquinários, cargas de projeto e cargas fracionadas, entre outros.
 

 

 

Oportunidade para Starups em encontro no Elume Park
No próximo dia 18 de agosto, o Elume Park será o ponto de encontro para uma tarde de tecnologia, inovação e empreendedorismo. O evento reunirá startups e empresas consolidadas para uma programação voltada à capacitação, captação de investimentos e ampliação de redes de contato, ampliando os conhecimentos para ampliar e buscar fomentos para os negócios.
 
Com foco em transformar ideias em projetos, a programação do dia contará com dois workshops
 
16h | Workshop:  Ignition Startup
Conecte sua startup a linhas de fomento e investidores, ampliando as oportunidades para acelerar o crescimento do seu negócio.
 
 
17h30 às 19h | Workshop: Fomento, do Recurso à Transformação
Saiba como acessar recursos de fomento e transformar ideias em projetos estruturados e com potencial de captação.
 
Clique aqui para garantir a sua participação: https://scmaisinovacao.digital/e/R7FWZ4
Inscrições estão abertas para palestra sobre compras públicas em Itajaí
Estão abertas as inscrições para a palestra sobre compras públicas promovida pela Sala do Empreendedor de Itajaí. A capacitação será realizada no dia 27 de agosto, às 15h, no auditório do Edifício Zen Tower, e é voltada a Microempreendedores Individuais (MEIs), Microempresas (MEs) e Empresas de Pequeno Porte (EPPs) que desejam entender como participar dos processos de contratação do Município.
 
A participação é gratuita e as inscrições podem ser feitas pela loja virtual do Sebrae, pelo link https://sc.loja.sebrae.com.br/palestra-de-compras-publicas-ev-819585. A proposta do encontro é aproximar os pequenos negócios desse mercado e mostrar, de forma prática, quais são os caminhos para identificar oportunidades e se preparar para participar das contratações públicas.
 
As compras públicas envolvem a aquisição de produtos, contratação de serviços e realização de obras necessárias ao funcionamento da Administração Pública. Para as empresas que atendem às exigências, esses processos representam uma oportunidade de fornecer ao Município.
 
Os participantes receberão orientações sobre como acompanhar a publicação de editais, quais são os requisitos para participar das licitações, a documentação necessária, a apresentação de propostas e o funcionamento das disputas eletrônicas. A capacitação também abordará cuidados importantes antes de uma empresa participar de uma contratação pública.
 
Outro tema será o tratamento diferenciado previsto para os pequenos negócios. A Lei Complementar Federal nº 123/2006 e a Lei Municipal nº 7.785/2025 estabelecem mecanismos aplicáveis aos MEIs, Microempresas e Empresas de Pequeno Porte.
 
Conforme as características da contratação e as regras de cada edital, podem existir condições específicas relacionadas à regularização fiscal e trabalhista, critérios de desempate e participação em determinadas contratações destinadas ou reservadas aos pequenos negócios.
 
Com a iniciativa, a Sala do Empreendedor busca ampliar o acesso dos pequenos negócios às informações sobre compras públicas e incentivar a participação das empresas locais nas oportunidades de contratação do Município.
Inscrições
 
As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas pela loja virtual do Sebrae:
https://sc.loja.sebrae.com.br/palestra-de-compras-publicas-ev-819585
Agro responde por 47,9% das exportações em julho

As exportações do agronegócio brasileiro movimentaram US$ 16,34 bilhões em julho de 2026, o equivalente a 47,9% de tudo o que o Brasil exportou no mês. O resultado representa crescimento de 5,4% em relação a julho de 2025.

Os dados são de um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), elaborado a partir de informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Ao todo, 1.476 municípios brasileiros contribuíram para as exportações do agronegócio em julho. O número representa uma redução de 1,3% em comparação com o mesmo período de 2025.

Entre os municípios, o principal destaque foi Três Lagoas (MS), que movimentou US$ 255,9 milhões com a exportação de celulose. No recorte estadual, Mato Grosso do Sul liderou as exportações do agronegócio, com US$ 2,96 bilhões, correspondendo a 18,1% das vendas externas do setor no mês. Ao todo, 77 municípios sul-mato-grossenses exportaram 45 produtos agropecuários diferentes.

A soja permaneceu como principal produto da pauta de exportações do agronegócio brasileiro. Em julho, foram movimentados US$ 5,87 bilhões, alta de 17,4% na comparação com julho de 2025. O produto respondeu por aproximadamente 36% das exportações do agronegócio no mês e envolveu 153 municípios exportadores.

Na segunda posição ficou a carne bovina in natura, com US$ 1,45 bilhão em vendas externas. O resultado representa uma queda de 5,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, influenciada principalmente pela redução de 40% nas compras da China. A celulose ocupou a terceira posição, com US$ 1,06 bilhão exportado. O produto apresentou crescimento de 30,8% na comparação anual.

China continua como principal destino

A forte participação da soja nas exportações também manteve a China como principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro. O país asiático importou US$ 5,64 bilhões em produtos do setor em julho e foi destino das exportações de 257 municípios brasileiros.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com US$ 944,49 milhões em compras, impulsionadas principalmente pela carne. Apesar disso, o valor representa uma queda de 12,1% em relação a julho de 2025.

As importações brasileiras de produtos agropecuários somaram US$ 1,75 bilhão em julho, uma redução de 2,8% na comparação com o mesmo mês de 2025. O trigo foi o principal produto importado, com US$ 157,02 milhões.

No acumulado de 2026, as importações do agronegócio chegaram a US$ 11,71 bilhões, enquanto as exportações alcançaram US$ 103,39 bilhões. Com esses resultados, o setor registrou superávit de US$ 91,68 bilhões na balança comercial no acumulado do ano. De janeiro a julho, o agronegócio respondeu por 47,3% de todas as exportações brasileiras, reforçando o peso do setor para o comércio exterior e para o resultado da balança comercial do país.

Prefeitura de Balneário Camboriú recebe comitiva de empresários da China
Na tarde desta segunda-feira (10), uma comitiva de empresários da China participou de um importante encontro com a prefeita Juliana Pavan, secretários e diretores-presidentes de Balneário Camboriú, onde puderam apresentar suas tecnologias e o interesse em firmar parceria com o município. 
 
Na oportunidade, os chineses puderam conhecer um pouco sobre os trabalhos de tratamento de esgoto, coletas e tratamento de lixo sólido, além de apresentar propostas inovadoras das áreas. Energia solar e construção com estrutura metálica também compuseram as pautas debatidas na reunião. 
 
Participaram do encontro os secretários de Articulação, Omar Tomalih; de Governo, Inovação e Orçamento, Gilson Bordin; de Comunicação, Dagmara Spautz; da Fazenda, Magda Bez; e os diretores-presidentes da Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa), Auri Pavoni, e da BC Investimentos, Fábio Fiedler. 
 
A prefeita Juliana Pavan destaca que a aproximação com os chineses iniciou no final de 2025, com a visita do vice-prefeito Nilson Probst, junto com a comitiva da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (Amfri), nas cidades de Guangzhou, Hong Kong e Shenzhen. 
 
“Agora eles vêm aqui para poder conhecer de perto a nossa cidade e o nosso potencial. As oportunidades que temos e, ao mesmo tempo, entender também o que eles procuram. Aqui eles mencionaram algumas ideias, e é o início, claro, de uma aproximação que pode resultar em novos investimentos, negócios e parcerias para a nossa cidade”, disse.
 
O integrante da comitiva chinesa, Hao Yun, comenta que o Brasil é muito forte no agronegócio, enquanto a China domina o cenário tecnológico. 
 
“Nessa visita, a gente realmente faz uma missão para conhecer todos os lados de Balneário Camboriú, e pensamos que realmente temos uma grande chance de fazer parceiros nas áreas de energia solar, tratamento de esgoto e lixos sólidos, então recebemos muitas informações e espero que, no futuro, a gente possa fazer muitas cooperações juntos”, enfatizou.
Município de Itajaí manifesta preocupação com dragagem e concessão do Complexo Portuário de Itajaí
O gabinete de Prefeito de Itajaí recebeu os representantes do setor produtivo e da comunidade portuária para tratar das preocupações com o andamento da concessão do Complexo Portuário de Itajaí e a dragagem do canal no rio Itajaí-Açu. A pauta foi discutida no encontro realizado nesta segunda-feira (10).
 
Ao acolher as demandas do movimento e compreender a importância do Complexo Portuário de Itajaí para a economia da cidade, o Município de Itajaí enviou ofício ao Ministério de Porto e Aeroportos e à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). O documento apresenta questionamentos técnicos relacionados à concessão e expressa a preocupação com o período de transição entre o atual modelo e o início da vigência da próxima concessão.
 
O Município de Itajaí atua como apoiador do movimento liderado pelas entidades representativas do setor produtivo e da comunidade portuária e, alinhado com os órgãos intervenientes, representa o município e seus cidadãos no fortalecimento do Porto de Itajaí, o complexo portuário e toda a cadeia produtiva.
Economia & Negócios: Taxa de juros

Augusto César Diegoli (acdiegoli.gmail.com)

Bancos

Uma audiência pública na Alesc discutiu o fechamento de agências bancárias em SC. Se propôs criar uma comissão para elaborar leis que exijam  manutenção de atendimento presencial, em especial nos municípios de menor porte, onde há impactos negativos para suas economias. O argumento dos bancos é o avanço da digitalização dos serviços bancários. Em 10 anos houve uma redução de 40% no número de agências em SC, com a consequente redução de 30% de postos de trabalho. O negativo nisso é a estratégia de precarização no atendimento da população de baixa renda por parte de algumas instituições financeiras, inclusive as do governo. Enquanto o atendimento presencial está restrito à alta renda, a população mais carente fica limitada aos chamados correspondentes bancários, que só em SC são 12,3 mil, 21 vezes o número de agências bancárias.

Representação desigual

O portal Brasil 61 fez interessante levantamento apontando a absurda representatividade desigual do eleitorado por Estado no Congresso Nacional. O exemplo de SC: dividindo-se o total do eleitorado pelos dados oficiais de 2002 pelo número de deputados federais (16), cada um corresponde a 357.859 eleitores, número só superado por São Paulo (487.203) e Pará (368.500). Na outra ponta está Roraima, com apenas 50.187 eleitores para cada um dos seus oito deputados federais. Alguns deles foram eleitos com pouco mais de 5 mil votos.

Por que o Paraguai?

País vizinho se tornou um dos principais destinos de investimentos industriais, inclusive de empresas catarinenses, ao oferecer incentivos para a instalação de fábricas. Marcas tradicionais do Estado apostam na produção em solo paraguaio para ganhar competitividade global. Por trás desse movimento, se discute até que ponto a migração econômica pode impactar a desindustrialização regional.

Paraguai abre as portas para SC

O que Altenburg, Dohler e Karsten têm em comum? Existe uma primeira resposta óbvia para essa pergunta: são empresas catarinenses que se destacam na produção têxtil e concorrem entre si. O trio de gigantes centenárias, porém, compartilha outra semelhança que agora começa a ser mais percebidas pelo mercado: todas enxergaram no Paraguai uma alternativa para reduzir custos operacionais e diversificar a estratégia industrial. E elas estão longe de serem casos isolados. Buddemeyer e Lunelli são outras companhias do ramo em SC que também já fizeram apostas por lá. Nos últimos anos, o país vizinho estendeu um tapete vermelho para atrair investimentos, boa parte deles estrangeiros. Estabilidade econômica e política – o Partido Colorado encabeça o governo de forma praticamente ininterruptas há quase 80 anos, alíquotas de importação e exportação mais atrativas, simplificação tributária e uma folha salarial com menos encargos trabalhistas são frequentemente apontados por empresários e especialistas como motivos que justificam a migração de ao menos parte da cadeia produtiva de alguns setores para o território paraguaio.  

Pronegócio chega a 75ª edição

Brusque volta a ser o centro das atenções do setor de confecção entre os dias 11 e 14 de agosto, com a realização da 75ª Pronegócio, promovida pela Associação das Micro e Pequenas Empresas de Brusque e Região (AmpeBr). A rodada de negócios, que acontece no Pavilhão de Eventos, reunirá cerca de 140 indústrias catarinenses para apresentar a coleção Alto Verão 2027 a mais de 600 compradores de todo o país. Por ser uma rodada voltada às entregas dos meses de outubro, novembro e dezembro, a expectativa é de bons resultados, especialmente diante da importância das vendas de fim de ano para o varejo.

Ideb

O Ministério da Educação divulgou o novo resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente 2025 e o destaque para SC é o desempenho das escolas particulares. O Estado ficou em primeiro no ranking nacional quanto aos anos iniciais, 2º nos anos finais e 7º no ensino médio. Nada mal. No desempenho geral, incluindo as redes pública e privada, SC ficou em 3º nos anos iniciais, 6º nos anos finais e 10º no ensino médio. A registrar que SC, junto com outros 10 estados, conseguiu evoluir comparativamente a 2023. Naquele ano sua nota geral no ensino médio foi 3,8, posicionando-se na 16ª colocação nacional. Em 2025 a nota subiu para 4,3 e no ranking nacional evoluiu para o 10º lugar. Nacionalmente, no ensino médio, o Paraná lidera, com nota 5,1.

Ferrovias em SC

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) recebeu audiência pública da Agência Nacional de Transportes Terrestres para debater o modelo de concessão ferroviária da Malha Sul. Durante o evento, a Fiesc defendeu a ampliação do prazo de discussão e a revisão do modelo. O posicionamento foi apresentado pelo presidente do Conselho para Assuntos de Transporte e Logística da entidade. Segundo a Fiesc, a proposta não contempla adequadamente a realidade logística de SC, especialmente em relação aos portos, aos corredores de exportação e à expansão da malha ferroviária. A Fiesc também demonstrou preocupação com a divisão da estrutura em três corredores e com a ausência de investimentos em trechos estratégicos para a indústria catarinense. O material apresentado não considerou os portos de SC, com exceção de São Francisco do Sul. Santa Catarina é hoje o segundo maior movimentador de contêineres do Brasil, e os planos apresentados não refletem essa realidade. A federação, em conjunto com outras entidades, defende a reformulação do projeto e a ampliação da participação dos estados e do setor produtivo nas discussões, incluindo a revisão do modelo de divisão dos lotes, a ampliação dos investimentos e o fortalecimento da conexão ferroviária com os portos catarinenses.  

Para vender

Embora faça (tem feito muito mais até um passado recente) críticas à linha editorial da Globo, o empresário brusquense Luciano Hang agora é o maior anunciante nela, através de sua rede de lojas Havan, de suas afiliadas pelo Brasil. Só de janeiro a junho deste ano a Havan apareceu 2.132 vezes em programas ou telejornais locais.

Lista

O Tribunal de Contas do Estado aprovou a relação de mais de 200 responsáveis com contas rejeitadas no exercício de funções públicas, por decisão irrecorrível, que irá para a Justiça Eleitoral. Esta instância decidirá, após análise e se for o caso de haver nomes de candidatos às eleições deste ano, pela sua inelegibilidade ou não. A relação aprovada pelo TCE será disponibilizada em seu portal institucional. Não diz quando, mas é aguardada com muita expectativa, tanto para quem milita na política partidária como fora dela.

Jornada de 40 horas

A Portallar anunciou a adoção de uma jornada de 40 horas semanais, de segunda a sexta-feira, para os colaboradores da empresa. A mudança ainda será submetida à aprovação em assembleias sindicais e, se receber o aval dos trabalhadores, deverá entrar em vigor na segunda quimzena de agosto. Conforme informado pela empresa nas redes sociais, a iniciativa representa uma mudança na organização da jornada de trabalho e faz parte de um conjunto de ações voltadas à valorização dos colaboradores. Segundo o presidente do Sindmestre, a Portallar será a primeira indústria têxtil de Brusque a implantar esse modelo de carga horária.

Mobilidade social

Conforme dados divulgados, extraídos do Atlas da Mobilidade Social de 2026, plataforma pública e interativa desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, o Estado brasileiro com mais chances de nascidos na classe média chegarem ao grupo dos mais ricos é SC. Essa probabilidade varia de 7,99% no Amazonas, a 27,15% em SC. Brasis, afinal, com suas diferenças abissais.

Preferência do crime

Sem fornecer mais dados, o Conselho Nacional de Justiça divulgou um estudo apontando que o mercado imobiliário tem a maior preferência do crime organizado para lavagem de dinheiro. Só não diz onde. Alguma dúvida de que Balneário Camboriú e Itapema estejam neste mapa? O que dizer de algumas centenas de apartamentos, em ambas, nunca ocupados, há meses e até anos?

Appel Home

A Appel Home concluiu a construção de um novo galpão logístico, que representa um salto na capacidade de armazenamento e organização de estoques da marca. Atualmente, a operação depende de galpões situados em endereços distintos, para suprir a demanda. Com 1.465 m2 de área construída e altura útil de 14,5m, o novo galpão foi projetado para consolidar em um único espaço o que hoje está pulverizado em estruturas diferentes. Ao todo, serão 3.200 endereços/pallet disponíveis, o que deve otimizar significativamente o trabalho logístico da empresa, eliminando a necessidade de deslocamento entre unidades e reduzindo o tempo de resposta em toda a cadeia, desde o recebimento à expedição.

Brasis

O Atlas da Mobilidade Social, plataforma pública desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social detectou que municípios que registram melhores indicadores educacionais tendem a reduzir as desigualdades de oportunidades. Um exemplo: enquanto em Assis Brasil, no Acre, 84,4% dos jovens oriundos de famílias que pertenciam aos 25% mais pobres permanecem nesse mesmo grupo de renda quando adultos, em Ponte Serrada, município catarinense de 10.650 habitantes, no Oeste do Estado, apenas 2,13% dos jovens permanecem nesse extrato de renda. O município acreano possui um dos piores resultados do país, já o catarinense evidencia um ambiente mais favorável à ascensão socioeconômica.

Convencidos?

Mais que jornalistas e alguns curiosos, ao abrir, pela primeira vez em SC, como fez recentemente, para quem quisesse ter a certeza (ou não) de que ela é confiável, a Justiça Eleitoral deveria ter convidado, também, experts em sistemas eletrônicos. Estes sim poderiam atestar tudo com mais credibilidade; não para leigos, ou um pouco mais que isso.

Ambiente escolar

O Programa Vida na Escola, desenvolvido pela Univali e prefeitura de Itajaí, está sendo visto como um modelo a ser replicado em outras regiões de SC. Com atendimento psicológico e serviço social no ambiente escolar, foi criado em 2025 e atualmente desenvolvido em 41 escolas de ensino fundamental, atendendo diretamente mais de 26,5 mil estudantes e aproximadamente 1,5 mil professores da rede, além de suas famílias.

Taxa de juros

O mercado financeiro reduziu as expectativas para os índices de inflação e, pela primeira vez desde março, da taxa básica de juros. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a Selic deve fechar 2026 em 13,75%. As projeções para a economia (PIB) e o câmbio (dólar) neste ano vêm se mantendo estáveis há pelo menos cinco semanas, em 1,99% e R$ 5,20, respectivamente. Na semana passada, as expectativas do mercado eram que a Selic terminaria o ano em 14%, projeção 0,25 ponto percentual acima da apresentada pela autoridade monetária. A última vez em que as projeções do boletim indicaram queda foi em março de 2026. Quando a mediana caiu de 12,13% para 12%. As previsões da Selic para 2027 e 2028 se mantiveram estáveis, em 12% e 10,5%, respectivamente.

Primeiro cinema

Cidade que em futuro próximo estará entre as mais populosas de SC, Itapema vai ganhar seu primeiro cinema. Com capacidade para 200 lugares em duas salas, ficará no Garden Open Mall, que já está em construção, com investimento de R$ 80 milhões em 50 operações comerciais.

Impacto das telas

Para muitos pais que por demais preocupados com o assunto, uma boa notícia: o debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes já faz parte da agenda de oito em cada 10 escolas brasileiras, revela a nova edição da pesquisa TIC Educação, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil. Segundo o levantamento, lançado recentemente, a proporção de instituições de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, que discutiram o tema em 2025 cresceu 18 pontos percentuais na comparação com 2024, passando de 62% para 80%.

“Made in Brazil”

Um novo levantamento, agora feito pela Folha de São Paulo a partir de dados de 2025, mostra que Ceará, Espirito Santo e SC são os entes da federação com exportações totais mais afetadas pelas tarifas de Donald Trump. SC exporta 12,1% dos seus produtos para os EUA e tem 80,7% das exportações tarifadas. Assim, 9,7% das vendas totais são impactadas. Detalhe: o grau de abertura da economia catarinense é de expressivos 45,3%.

Praias gordas

O engordamento de várias praias em SC tem sido notícia nacional de forma constante, uma vez que viraram moda. Mas nem tudo vem dando certo. Piçarras, por exemplo, fez quatro alargamentos desde 1998 e o último, a um custo de R$ 53 milhões, concluído em abril deste ano, causa apreensão porque o mar já cavou um paredão de areia de quase dois metros. Num levantamento nacional, o Estadão diz que nas praias de Canasvieiras, Ingleses e Jurerê, na Ilha de SC, estudos da UFSC do ano passado apontou piora na balneabilidade e mais risco de afogamentos. Conclui, ainda, que nenhuma das obras atingiu, de fato, os objetivos de proteção da costa, recreação e restauração ambiental. Quanto a Praia Central de Balneário Camboriú, cuja faixa de areia passou de 25 para 70 metros, houve redução com o movimento das marés e no ano passado foi necessária a construção de um muro subterrâneo de 6 mil metros de extensão para conter a erosão marinha e segurar a areia. Na vizinha Itapema a engorda envolve uma acalorada discussão porque ela será financiada pela outorga onerosa (taxa paga pelo construtor para aumentar em até 30% o tamanho do prédio).

Missão ao Paraguai avança em parcerias para logística no comércio exterior

O aproveitamento da estrutura portuária de Santa Catarina para o comércio exterior do Paraguai e a formatação de uma parceria para viabilizar melhorias na logística para fornecimento de insumos para a agroindústria catarinense estão entre os principais destaque da missão oficial liderada pelo Governo do Estado e pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) ao país vizinho.

“A aproximação estratégica traz benefícios tanto para SC como para o Paraguai. Existe um mercado com muito potencial para crescer no intercâmbio comercial com os catarinenses”, explicou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.

Logística em pauta
A Rota do Milho, iniciativa para garantir o abastecimento constante de milho ao polo agroindustrial de proteína animal no Oeste de Santa Catarina, foi um dos temas abordados. O milho lidera a pauta exportadora do Paraguai para SC e foi responsável por 15,2% do total vendido pelo país ao estado em 2025, com US$ 70,5 milhões.

Além do esforço para garantir o suprimento de grãos, a comitiva abriu frentes para a transferência de tecnologias catarinenses à agricultura paraguaia e para a criação de Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) conectadas aos portos do estado.

"Nossos grandes portos são opções muito competitivas de conexão com a Ásia e outros países para as importações e exportações do Paraguai, e avançamos ao abrir frentes para solidificar novas parcerias”, afirmou Seleme.

Complementaridade econômica
Os resultados da missão estão sustentados na forte sinergia entre os parques industriais de Santa Catarina e do Paraguai. Dados do Observatório FIESC apontam que, entre 2015 e 2025, o comércio de Santa Catarina com o Paraguai cresceu em ritmo muito superior à média nacional. No período, as exportações catarinenses subiram 99,1%, alcançando US$ 445,1 milhões em 2025, impulsionadas por bens de maior valor agregado, como cerâmica não vitrificada, máquinas e aparelhos mecânicos e equipamentos de refrigeração.

Em contrapartida, as importações catarinenses vindas do Paraguai deram um salto de 390,5%, entre 2015 e 2025 e atingiram US$ 464 milhões no ano passado. O milho lidera as compras, seguido por carne bovina, óleo de soja, tecidos para o polo têxtil do Vale do Itajaí e insumos metálicos como chumbo e sucata de cobre para o setor metalmecânico.

No âmbito da construção civil, a missão abriu frentes para atrair investimentos paraguaios ao setor imobiliário do litoral de Santa Catarina e impulsionar a venda de materiais catarinenses ao país vizinho. A transferência de tecnologias e soluções em infraestrutura para apoiar o forte ciclo de obras em expansão no Paraguai também foi debatida.

Próximos passos
Como desdobramento imediato dos compromissos assumidos em Assunção, equipes técnicas do Governo de Santa Catarina e da FIESC aprofundarão os estudos logísticos e regulatórios ao longo dos próximos meses. Uma nova agenda de aproximação está prevista para novembro, quando Santa Catarina sediará um encontro e seminário empresarial focado na relação com o Paraguai.


Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

Declaração do imposto sobre imóveis rurais pode ser feita por internet

A Receita Federal disponibiliza a partir desta segunda-feira (10) a versão web do serviço Minhas Declarações do ITR, que permite preencher, transmitir, retificar e consultar online a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), sem necessidade de instalar programas no computador.
O acesso será feito pelo Portal de Serviços da Receita Federal com conta gov.br nível prata ou ouro.

O uso da plataforma será obrigatório para pessoas jurídicas e físicas proprietárias de imóveis rurais com área superior a 100 hectares. Proprietários de áreas de até 100 hectares também poderão apresentar a declaração por meio do Programa Gerador da Declaração (PGD ITR 2026).

A DITR é o documento usado para informar à Receita Federal os dados cadastrais do imóvel rural e de seu titular, as áreas do imóvel e outras informações necessárias para a apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).

Devem apresentar a declaração os proprietários, usufrutuários, titulares do domínio útil ou detentores de imóveis rurais, pessoas físicas ou jurídicas. Em situações específicas, a obrigação também alcança condôminos, compossuidores e inventariantes.

Segundo a Receita Federal, o ambiente digital reúne, em um único local, declarações, recibos e documentos relacionados ao ITR, além de oferecer recursos como pré-preenchimento de dados cadastrais e acesso por dispositivos móveis.

A entrega da DITR fora do prazo está sujeita à Multa por Atraso na Entrega da Declaração (Maed).

Inadimplência cai em Santa Catarina, mas endividamento sobe

Em julho de 2026, a inadimplência das famílias catarinenses caiu para 23,6%, ante 25,4% registrados em junho. A redução de 1,8 ponto percentual também ficou evidente na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o indicador era mais alto.

O resultado mantém Santa Catarina em patamar inferior ao índice nacional, que chegou a 29,8%. A média histórica do estado é de 22%, o que mostra que, apesar da melhora, o cenário ainda merece atenção.

Mesmo com a queda da inadimplência, o percentual de famílias endividadas aumentou para 76,9% em julho, alta de 0,6 ponto percentual em relação a junho. Esse foi o maior nível da série recente, embora o estado permaneça abaixo da média brasileira, de 82,0%.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela CNC em parceria com a Fecomércio SC. Para a entidade, o movimento indica melhora em alguns indicadores, mas ainda dentro de um ambiente de crédito pressionado.

A pesquisa também aponta avanço na capacidade de pagamento das famílias. A parcela que afirma não ter condições de quitar as dívidas em atraso caiu de 9,9% para 9,5%, permanecendo abaixo do percentual nacional.

Além disso, o comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,9%, enquanto o tempo médio de atraso alcançou 62,6 dias. Os números reforçam a combinação de alívio pontual com persistência de compromissos financeiros elevados.

O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de dívida entre as famílias catarinenses, presente em 69,6% dos endividados. Ainda assim, houve recuo expressivo em relação ao ano anterior, sinalizando mudança no comportamento de consumo.

Em contrapartida, modalidades como crédito consignado e financiamento de veículos ganharam espaço. Segundo a análise, isso indica migração para linhas de crédito mais estruturadas e, em tese, com condições mais previsíveis para o orçamento doméstico.

Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, a queda da inadimplência é um sinal positivo para a economia catarinense. Ele avalia que a melhora demonstra maior organização financeira das famílias.

A entidade, porém, destaca que os juros ainda estão em nível considerado proibitivo para o consumo e para o crescimento econômico. A expectativa é de que a trajetória de queda continue nos próximos períodos.

Redução da taxa de juros ainda é insuficiente, avaliam entidades

O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a continuidade do ciclo de redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.

"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", disse a entidade.

Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses, e que Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.

"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação".

Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.

"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.

Copom 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano.

Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.

Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.

Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

Curso gratuito de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe está com inscrições abertas em Itapema

A Prefeitura de Itapema, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Habitação, segue com as inscrições abertas para mais uma capacitação gratuita do programa Itapema Qualifica, realizado em parceria com o SENAC/SC. Desta vez, a oportunidade é para o curso de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe, voltado para quem deseja aprimorar competências comportamentais cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.

A formação tem como objetivo desenvolver habilidades essenciais para o ambiente profissional, como comunicação eficiente, cooperação, resolução de conflitos, inteligência emocional e convivência em equipe. O conteúdo também aborda princípios de etiqueta social e profissional, comunicação assertiva e técnicas para fortalecer o relacionamento interpessoal, contribuindo para um ambiente de trabalho mais produtivo, respeitoso e colaborativo.

Durante as aulas, os participantes aprenderão sobre os fundamentos do trabalho em equipe, compreendendo como a colaboração, a confiança e a união de diferentes habilidades podem potencializar resultados. O curso também apresenta estratégias para administrar conflitos de forma construtiva, além de explorar os principais elementos do processo de comunicação, identificando fatores que podem facilitar ou dificultar o entendimento entre as pessoas.

Outro destaque da capacitação é o desenvolvimento da comunicação assertiva, habilidade que permite expressar opiniões, necessidades e ideias com clareza, respeito e objetividade, fortalecendo as relações profissionais e pessoais.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Habitação, Nicko Silva, destacou a importância das capacitações para a formação profissional da população. " O Itapema Qualifica oferece oportunidades gratuitas para que a nossa população desenvolva essas competências e esteja cada vez mais preparada para conquistar uma vaga no mercado ou crescer na carreira", afirmou o secretário.

Inscrições e aulas
As inscrições podem ser realizadas presencialmente na Casa da Cidadania, localizada na Rua 216, nº 155, em Meia Praia, das 8h às 17h, ou de forma online pelo site qualifica.itapema.sc.gov.br. As vagas são gratuitas e serão preenchidas por ordem de inscrição. As aulas acontecerão nos dias 18, 20, 25 e 27 de agosto, além de 1º de setembro, na EMEB Bento Elói Garcia, localizada na Rua 402 B, nº 100, no bairro Morretes.

Juros altos agravam dificuldades da indústria, pondera CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. No entanto, pondera que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias. 

“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI. 

Juros continuam desproporcionais à trajetória da inflação
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus vêm melhorando. Embora a projeção para o IPCA de 2026 seja de alta de 5,03%, as perspectivas para o índice em 2027 e 2028 continuam dentro do intervalo de tolerância da meta. Ao mesmo tempo, a inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%). Esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses. 

Além disso, a média dos núcleos de inflação de junho ficaram em 4,44% e apontam uma trajetória mais consistente com a meta de 3% da inflação, apesar da continuidade das incertezas geopolíticas e dos riscos climáticos.

Selic está 3,6 pontos percentuais acima do ideal
A CNI lembra que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação. 

Real valorizado contribui para segurar a inflação 
Cabe destacar que, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, o país segue atraindo investidores internacionais interessados no elevado diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas. O país continua oferecendo retorno atrativo para investidores internacionais, situação que contribui para a apreciação do real, que nos últimos doze meses se valorizou 8,6% frente ao dólar, o que ajudou a arrefecer o ímpeto inflacionário. 

Juros altos elevam endividamento e espremem margens
Consulta realizada pela CNI mostra que os juros devem trazer forte pressão financeira sobre o setor nos próximos três meses. Mais da metade das empresas (53%) prevê aumento na necessidade de financiamento para contas a pagar; 47% esperam pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques — sinais claros de elevação da necessidade de capital de giro. 

Entre as empresas que demandam mais capital, mais de 55% projetam encarecimento do crédito, e cerca de 39% devem ampliar o endividamento bancário. Como efeito direto do aperto, 58% antecipam redução das margens líquidas, comprometendo rentabilidade e capacidade de investimento. Para conter perdas, 51% tentarão manter preços para não perder competitividade frente a importados, enquanto 37% já planejam repassar custos ao valor final, o que pressiona a inflação. Segundo os empresários, os juros atuais funcionam como um “imposto invisível” que inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção.

Taxas de juros e endividamento das famílias
O elevado nível de juros no crédito livre também encarece o refinanciamento das dívidas familiares. O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O "Desenrola 2.0" trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros. 

Aumento de etanol na gasolina divide opiniões sobre impacto em carros

Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reacendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consumidores como para o funcionamento dos veículos.
Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira.

Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor.

MPF
De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina (com 32% de etanol) não demonstraram, de forma conclusiva, os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos.

Na ação, o MPF aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.

Os procuradores argumentam, ainda, que os estudos usados foram elaborados para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32.

Por fim, o MPF argumenta que faltam estudos sobre impactos ambientais indiretos e pede perícia técnica independente.

Unica
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento do percentual de etanol na gasolina é algo positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de gasolina.

Além disso, acrescenta a Unica, não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32.

A entidade lembra que o E32 foi avaliado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes foram feitos em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024.

Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32, acrescentou ao destacar que não foram identificados impactos relevantes em desempenho, consumo, dirigibilidade, partidas a frio ou funcionamento dos motores.

Além dos aspectos técnicos, a entidade sustenta que o aumento da participação do etanol pode beneficiar os consumidores ao reduzir a dependência de gasolina importada.

A estimativa é que o país deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo a Unica, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses.

Mais de 40% das indústrias migraram para o mercado livre de energia em 2 anos, aponta CNI

Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia desde 2024, quando entrou em vigor a norma do Ministério de Minas e Energia (MME) que ampliou o acesso dos consumidores ao ambiente de livre contratação. De acordo com os dados, 73% dos empresários que trocaram o mercado cativo pelo livre notaram redução dos custos com as tarifas de energia elétrica.

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada nesta quinta-feira (30) pela CNI, revela que 30% das empresas consideram a migração para o mercado livre como a principal estratégia para reduzir o custo da conta de luz. Os dados apontam ainda que, em meio a um cenário de oscilações no setor elétrico impulsionado pela alta demanda global e por conflitos geopolíticos, o interesse das empresas pelo mercado livre de energia aumentou.

Apesar desse avanço, ainda há grande potencial para expansão desse mercado. Entre as empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado cativo, 37% demonstram interesse em migrar para o mercado livre. Os dados reforçam que a abertura gradual do setor tende a ampliar a competitividade das indústrias.

A pesquisa revela que, entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre. Entre as pequenas empresas, 22% informam atuar nesse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado cativo.

Os dados indicam também que 79% das indústrias utilizam a energia elétrica como principal insumo energético em seus processos produtivos. O custo da energia é apontado pelos industriais como um dos principais desafios do setor.

Confira a pesquisa: https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/43/8d/438d1f97-f43e-435f-83e2-f0a4118f1646/sondagem_cni_industria_e_energia_2026.pdf

Sondagem CNI Indústria e Energia 2026.pdf(6,1 MB)
“A pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, destaca o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.

“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, acrescenta o gerente da CNI.

83% das empresas dizem que custo da energia é importante para a competitividade
Segundo a sondagem, 62% dos industriais indicaram que houve algum impacto da variação dos preços de energia elétrica nos últimos 12 meses. Para 83% deles, a conta de luz é um fator imprescindível para a competitividade. Outros 67% consideram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.

O aumento da conta de luz foi apontado por 3% das empresas como alto (acima de 30% de reajuste). Para 20%, o impacto foi considerado médio (acima de 10% de aumento), enquanto para 39%, o impacto foi considerado baixo (abaixo de 10% de aumento).

Quase duas em cada três empresas (64%) investiram em alguma forma de economizar energia ou na diminuição dos custos tarifários. A principal opção apontada foi a migração para o mercado livre, apontada por 30% das indústrias.

Investimentos em autogeração e eficiência energética
Já os investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram elencados como alternativas para 13% das empresas respondentes. Outros 28% não tomaram nenhuma medida para otimização energética de seus processos produtivos.

O setor de produtos de borracha foi o que mais investiu na opção de autogeração (25% das empresas) e na migração para o mercado livre (38% das empresas). O setor que mais migrou para o mercado livre foi o calçadista (47% das empresas). O setor de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, por sua vez, foi o que mais investiu em eficiência energética (25% das empresas).

A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril pela CNI, junto a 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.

Energia cara: quem vai pagar essa conta?

A energia elétrica é o principal insumo da indústria brasileira e um fator decisivo para a competitividade da economia. O Brasil reúne condições privilegiadas: tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 85% da geração proveniente de fontes renováveis, e vem ampliando rapidamente a participação da energia solar e eólica. Ainda assim, convivemos com um paradoxo difícil de justificar. Produzimos energia a baixo custo, mas pagamos uma das tarifas mais altas do mundo.

A principal explicação para essa distorção não está no custo de geração, transmissão ou distribuição, mas no crescimento contínuo dos encargos setoriais, subsídios e tributos embutidos na conta de luz. Hoje, cerca de 40% da tarifa corresponde a impostos e encargos setoriais, percentual que compromete a competitividade da indústria, reduz investimentos e encarece a produção nacional. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal mecanismo de financiamento de subsídios do setor, ilustra essa escalada: seu orçamento passou de R$ 14 bilhões em 2013 para mais de R$ 52 bilhões previstos para 2026.

O Brasil segue um caminho que vai na contramão da racionalidade e do razoável. Ao longo dos anos, diferentes políticas públicas foram incorporadas à tarifa de energia por meio de encargos criados, muitas vezes, com objetivos legítimos. O problema é que esses mecanismos se acumularam sem revisões periódicas, transformando-se em um conjunto de subsídios permanentes que pesa sobre consumidores e empresas. Criar encargos tornou-se politicamente mais fácil do que financiá-los pelo orçamento público, reduzindo a transparência e perpetuando distorções econômicas.

A facilidade política para criar encargos contrasta com a enorme dificuldade para sua revisão ou eliminação. Essa é a razão pela qual se prefere garantir subsídios via encargos, que não passam pelo escrutínio político na análise do orçamento público, em detrimento do uso de recursos orçamentários. Assim, os encargos setoriais acabam financiando políticas e subsídios que tendem a se perpetuar, mesmo quando perdem a eficiência econômica.

A redução desse peso sobre a conta de luz é uma das principais propostas da indústria brasileira para o próximo mandato presidencial. Este tópico está destacado como a prioridade no documento que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou aos pré-candidatos à Presidência da República, em evento realizado em junho.

No fim do século passado, nosso sistema elétrico era considerado um dos mais eficientes do mundo. Os grandes reservatórios hidrelétricos e um sistema interligado por uma ampla rede de transmissão garantiam a segurança e o baixo custo da eletricidade. Essa situação representava uma importante vantagem competitiva para a economia brasileira e para a indústria.

Infelizmente, esse tempo passou. A energia elétrica, agora, é cara. O recente histórico de intervenções no setor aliado às questões de gestão e de planejamento desestabilizaram o modelo, gerando complexidade, judicialização e enormes passivos financeiros. 

O PL 5017/2019 foi aprovado recentemente na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, determinando a criação de mais subsídios e contratações compulsórias de geração que novamente irão aumentar a tarifa de energia, sem que critérios técnicos ou econômicos sejam considerados. 

O novo texto aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura pegou o setor elétrico de surpresa. Estimativas da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia apontam que o custo acumulado com esses novos penduricalhos da conta de luz chegará a R$ 1,5 trilhão no acumulado na conta de luz até 2057, caso o Congresso Nacional aprove o projeto que prevê a contratação obrigatória de termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas, entre outros dispositivos.

Trata-se de um caminho incompatível com a necessidade urgente de reduzir o Custo Brasil. A indústria é o setor da economia mais sensível ao preço dos insumos energéticos, devido à elevada participação da energia no custo total de produção. A racionalização dos encargos, a redução gradual de subsídios que já não se justificam, o aperfeiçoamento da formação de preços e a ampliação da concorrência devem integrar uma agenda consistente de reformas.

O Brasil não pode desperdiçar a vantagem de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis e competitivas do planeta. A energia precisa voltar a ser um diferencial para impulsionar a indústria, atrair investimentos e acelerar o crescimento econômico. Isso exige coragem para enfrentar privilégios, revisar subsídios e construir um setor elétrico mais transparente, eficiente e sustentável. Reduzir os penduricalhos da conta de luz não é apenas uma necessidade para os consumidores, mas uma condição indispensável para devolver competitividade à economia brasileira.

*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo, no dia 30 de julho de 2026.

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