quarta, 19 de agosto de 2026
05/01/2026

Epagri assume gestão de Cedups e revoluciona educação técnica em Santa Catarina


Modelo integra o conhecimento da pesquisa agropecuária e a prática da extensão rural da Epagri ao ensino técnico (Foto: Aires mariga/Epagri)
 
Em fevereiro de 2025 a Epagri assumiu a gestão compartilhada dos cinco Cedups Agrotécnicos com a Secretaria de Estado da Educação. A iniciativa marcou uma nova fase da educação técnica em Santa Catarina ao integrar o conhecimento da pesquisa agropecuária e a prática da extensão rural ao ensino, aproximando ainda mais escola, campo e tecnologia.
 
Os Cedups estão localizados nos municípios de São Miguel do Oeste, Campo Erê, Canoinhas, Água Doce e São José do Cerrito. Em dez meses de gestão, a Epagri destinou em torno de R$12 milhões para melhorias em infraestrutura e formação de professores dessas unidades, que atendem cerca de 1,5 mil estudantes. “Esses investimentos foram feitos para qualificar os ambientes de ensino e garantir melhores condições de trabalho para professores, equipes técnicas e administrativas”, ressalta a diretora de ensino agrotécnico da Epagri, Andréia Meira.
 
A diretora destaca ainda que a qualificação dos profissionais também foi uma das prioridades da Epagri. Cerca de 120 professores participaram de cursos, oficinas e encontros voltados a metodologias inovadoras, uso de tecnologias no ensino agrícola, segurança alimentar, sustentabilidade e práticas de extensão.
 
Diferenciais do novo modelo
 
Um dos principais diferenciais do modelo implantado em 2025 foi a conexão direta dos Cedups com as Estações Experimentais, Centros de Treinamento e Gerências Regionais da Epagri. Essa aproximação permitiu a realização de dias de campo, visitas técnicas, aulas práticas com base em tecnologias desenvolvidas pela pesquisa e a implantação de Unidades de Referência Educativa.
 
 
Meta da Epagri é ampliar a participação de jovens oriundos da agricultura familiar no ensino agrotécnico (Foto: Aires Mariga/Epagri)
Essa integração também se refletiu no acompanhamento das famílias dos estudantes nas propriedades. “Ações de assistência técnica e extensão rural fortaleceram a relação entre as escolas e as comunidades rurais, ampliando o alcance social, produtivo e formativo dos Cedups”, explica Andréia.
 
Segundo o presidente da Epagri, Dirceu Leite, outro avanço de 2025 foi o aumento da participação de jovens oriundos da agricultura familiar no ensino agrotécnico. Hoje, mais da metade dos estudantes dos Cedups é formada por filhos de agricultores, e a meta, de acordo com ele, é ampliar ainda mais esse percentual, aliada ao fortalecimento da presença feminina. “Esse é o caminho para renovar a agricultura catarinense com conhecimento, inovação e pertencimento”, afirma.
 
Com o primeiro ano concluído, a Epagri inicia 2026 com metas de ampliar o número de Unidades de Referência Educativa, reforçar os laboratórios didáticos, expandir estágios e vivências supervisionadas no campo e aprofundar a formação continuada dos docentes. A empresa também avança na articulação para assumir a gestão das 11 Casas Familiares Rurais do estado, ampliando a oferta de educação técnica e reforçando, na prática, o investimento no futuro da agricultura catarinense.
 
Continuidade da produção e renovação geracional
 
A gestão dos Cedups ampliou um trabalho que a Epagri realiza há anos com os jovens rurais visando à continuidade da produção, à renovação geracional e ao fortalecimento da agricultura familiar e da pesca em Santa Catarina. Em 2025, a empresa garantiu mais de R$3,26 milhões na formação de jovens e mulheres, incentivando também o protagonismo feminino no campo e no mar.
 
 
Os cursos da Ação Jovem Rural e do Mar da Epagri capacitaram 303 jovens em 2025 (Foto: Divulgação/Epagri)
Em 2025, os cursos da Ação Jovem Rural e do Mar capacitaram 303 jovens, e o programa Flor-E-Ser atendeu 368 mulheres com formação em gestão, empreendedorismo, cooperativismo e práticas produtivas. Após a formação, a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) oferece apoio financeiro para desenvolvimento de novas atividades ou melhoria das existentes. Em 2025 foram mais de R$ 6 milhões de investimentos nos projetos de jovens e mulheres que passaram pelos cursos da Epagri.
 
Protagonismo feminino
 
O último Censo Agropecuário, de 2017, indicou uma grande concentração masculina na gestão das propriedades rurais. Entre mais de cinco milhões de estabelecimentos rurais existentes no Brasil, cerca de um milhão eram geridos por mulheres (20%). Em Santa Catarina, o percentual era ainda menor: 10% das propriedades rurais eram administradas por mulheres, segundo o IBGE. 
 
 
O programa Flor-E-Ser atendeu 368 mulheres com formação em gestão, empreendedorismo, cooperativismo e práticas produtivas (Foto: Pablo Gomes / Epagri/Fapesc)
A boa notícia é que houve crescimento e com políticas de empoderamento das mulheres no campo, a expectativa é que essa realidade esteja em transformação. Desde 2019, o programa Flor-E-Ser capacitou mais de 700 mulheres em habilidades em gestão, empreendedorismo e liderança, criando oportunidades para que elas assumam papéis de destaque nas atividades rurais e pesqueiras.
 
Os cursos são realizados nos 13 centros de treinamento da Epagri espalhados pelo estado. As participantes passam dois dias por mês nas unidades, frequentando aulas teóricas, práticas e trocando experiências com outras mulheres. A agricultora Denise Melânia Vital, de Araquari, transformou um hobby em negócio depois de participar do Flor-E-Ser. Hoje, ela é dona de uma pequena agroindústria de massas e panificados. “Eu costumo dizer que o curso foi um divisor de águas. O que eu tinha de paixão, mas que estava adormecido, foi despertado. No Flor-E-Ser, encontramos incentivo e apoio”, conta Denise.
 
Sucessão familiar
 
Dados do IBGE também mostram o desafio de manter os jovens no campo para dar continuidade às atividades agrícolas. Segundo o instituto, 30% das empresas familiares agrícolas são herdadas pelos filhos e apenas 5% pelos netos. Para fazer frente a este desafio, a Epagri já capacitou mais de 3,2 mil jovens de 18 a 29 anos desde 2012 por meio do programa Ação Jovem Rural e do Mar.
 
 
Após o curso, o casal Jenifer e Alexsandro está aperfeiçoando a gestão das atividades na propriedade da família (Foto: Divulgação / Epagri)
O curso tem duração de um ano e, ao final, o jovem elabora seu projeto de vida, com proposta de melhorias no negócio da família. Os projetos recebem apoio financeiro da Sape para serem implementados. Além de estimular o protagonismo dos jovens nas propriedades rurais e pesqueiras, o programa desenvolve habilidades em liderança para atuar em instituições comunitárias como sindicatos e associações.
 
O casal Jenifer Dettenborn e Alexsandro Vendruscolo, de Dionísio Cerqueira, é um exemplo do potencial transformador do programa Jovem Rural e do Mar. Egressos do curso em 2023, eles têm aperfeiçoado a gestão das atividades na propriedade dos pais de Alexsandro, que se dedicavam à produção de leite. Hoje, eles também produzem feijão, mandioca, batata-doce e carne. O foco é gerar mais renda e baixar os custos. 
 
Com apoio dos extensionistas Fábio Biela e Jonas Marcelo Ramon, o casal já apresenta excelentes resultados na propriedade. A produção leiteira passou de nove litros de leite para 15 litros. Jenifer, que nasceu em São José do Cedro, mas viveu por 10 anos em São Paulo, não pensa em nenhum momento abandonar o campo. 
 
Investimentos e modernização fortalecem capacidade de entrega da Epagri
 
Em 2025, a Epagri avançou na modernização e no fortalecimento de sua infraestrutura, com investimentos que ampliaram a capacidade de atendimento, inovação e competitividade da empresa. Os resultados abrangem infraestrutura, tecnologia, pesquisa, extensão rural, educação e pessoal.
 
 
Os Cedups foram contemplados com tratores, colheitadeiras, semeadoras e implementos agrícolas (Foto: Leo Munhoz /SECOM)
Ao longo do ano, a empresa investiu R$7 milhões na renovação de sua frota, com a aquisição de 68 novos veículos, garantindo agilidade, segurança e maior presença das equipes técnicas nos municípios.  Outros R$5,4 milhões foram aplicados na compra de tratores, colheitadeiras, semeadoras e implementos que fortaleceram diretamente as atividades de pesquisa e os Cedups Agrotécnicos.
 
A modernização tecnológica também foi prioridade. A Epagri destinou R$ 16,6 milhões para atualização de seu parque tecnológico, incluindo sistemas de armazenamento, servidores, firewall, notebooks e desktops. Uma das iniciativas estratégicas foi a parceria firmada com a Defesa Civil para o compartilhamento de datacenter, ampliando a segurança operacional e reduzindo custos. “Este ano foi decisivo para qualificar nossa estrutura interna. Modernizamos processos, fortalecemos a governança digital e asseguramos uma base tecnológica mais segura e eficiente para toda a empresa”, destaca a diretora de Administração e Finanças, Fabrícia Hoffmann Maria.
 
 
Ao longo do ano, a empresa investiu R$7 milhões na renovação da frota, com a aquisição de 68 novos veículos (Foto: Leo Munhoz /SECOM)
Outra frente importante foi a melhoria das condições de trabalho, com R$1,9 milhão aplicados na renovação de mobiliários em diversas unidades. As unidades de pesquisa também receberam atenção especial, com ampliações na área de piscicultura, reformas estruturais, aquisição de novos equipamentos laboratoriais, construção de estufas agrícolas, barracões e outras melhorias que fortalecem a inovação científica e a capacidade operacional.
 
No campo do desenvolvimento rural, a Epagri celebrou o convênio estadual Cederural, em parceria com o Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR) e a Secretaria de Agricultura e Pecuária (Sape), que garantiu R$ 3,2 milhões em 2025 para ações de capacitação de jovens e mulheres do campo e do mar. No âmbito federal, os convênios PAC/Embrapa, Finep, MDA e MPA somaram cerca de R$6,3 milhões destinados à aquisição de veículos e equipamentos agrícolas. Já o setor de meteorologia foi contemplado com R$2,5 milhões via Defesa Civil e Fundo Hídrico.
 
Para impulsionar ainda mais a pesquisa e o desenvolvimento, foram homologados, em parceria com a Fapesc, editais que totalizam R$ 8 milhões em financiamento de projetos e concessão de bolsas, criando oportunidades e estimulando novas soluções para o agro catarinense.
 
No conjunto de recursos disponíveis diretamente às áreas fim, a empresa destinou R$ 51,7 milhões para a pesquisa agropecuária, R$ 25,6 milhões para a extensão rural e R$11,6 milhões para a educação, somando mais de R$ 88,9 milhões distribuídos às unidades em todo o Estado. Esses valores garantiram o bom funcionamento das equipes, a continuidade de programas estratégicos e a ampliação de serviços para agricultores, pescadores, jovens e comunidades rurais.
 
Outro marco de 2025 foi o reforço no quadro de pessoal. A empresa registrou a maior contratação de sua história com a entrada de 417 novos concursados, recompondo equipes e garantindo melhores condições de atendimento em pesquisa, extensão e educação.
 
Empresa chega a todos os municípios e fortalece assistência técnica no campo
 
Em 2025, a Epagri registrou um avanço histórico ao estabelecer escritórios em 100% dos municípios catarinenses, garantindo sua presença territorial plena e fortalecendo o atendimento direto aos agricultores e pescadores. Ao longo do ano, mais de 132 mil produtores foram atendidos por meio de 268 mil ações técnicas, entre cursos, capacitações, dias de campo, visitas técnicas e seminários.
 
 
Em 2025 a Epagri garantiu presença territorial plena em SC, fortalecendo o atendimento direto aos agricultores e pescadores (Foto: Aires Mariga/Epagri)
A atuação ampliada refletiu também na elaboração de 12 mil propostas de crédito rural, que viabilizaram cerca de R$ 715 milhões em investimentos, beneficiando 10,5 mil agricultores com modernização, insumos e melhorias na estrutura. Para o diretor de Extensão Rural e Pesqueira da Epagri, Gustavo Claudino, ao estar presente em todo o território catarinense, a empresa garante que cada produtor tenha acesso ao conhecimento, ao crédito e às condições necessárias para prosperar. “É assim que construímos um campo mais forte, mais sustentável e com mais oportunidades”, destaca.
 
Garantia de US$ 150 milhões para o meio rural e pesqueiro
 
Gustavo pontua, ainda, outro trabalho da equipe técnica da extensão rural em conjunto com a pesquisa da Epagri: a elaboração do manual técnico e operacional do Programa SC Rural 2, que prevê US$ 150 milhões em investimentos no meio rural e pesqueiro catarinense nos próximos seis anos. Desse valor, US$ 120 milhões serão financiados pelo Banco Mundial e US$30 milhões serão contrapartida do Governo de Santa Catarina.
 
O documento, produzido com rigor científico pela equipe técnica da empresa, garante diretrizes alinhadas às necessidades reais do campo. O aporte será injetado diretamente no meio rural para melhorar a infraestrutura, impulsionar a inovação agrícola e fortalecer a sustentabilidade ambiental.
 
O presidente da Epagri, Dirceu Leite, reforça que o SC Rural 2 é um dos maiores investimentos no setor rural catarinense e um marco para o futuro da agricultura de Santa Catarina, colocando o estado na vanguarda na produção agropecuária do Brasil.
 
Regularização ambiental avança com atuação da Epagri no Cadastro Ambiental Rural
 
Em 2025, a Epagri assumiu a gestão compartilhada do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Economia Verde (SEMAE). A empresa realizou uma força-tarefa de busca ativa que resultou na efetivação de 12.397 novos cadastros e de 9.918 retificações, além da identificação de 11.647 vazios (propriedades sem cadastro) no Sistema CAR.
 
 
Em 2025 a Epagri assumiu a gestão compartilhada do Cadastro Ambiental Rural com a SEMAE (Foto: Jonatan Jumes/Epagri)
O CAR é um registro eletrônico que reúne informações ambientais das propriedades rurais, como Áreas de Preservação Permanente (APPs), Reservas Legais e áreas de uso restrito. A Lei nº 12.651/2012 determina a inscrição de todos os imóveis rurais do País no Sistema CAR até 31 de dezembro de 2025.
 
Esse registro garante segurança jurídica da propriedade e valoriza a produção rural associada à preservação. O produtor que não fizer seu registro no CAR e a adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA) no prazo estabelecido terá restrição ao acesso a benefícios e créditos rurais, poderá perder a área consolidada e não conseguirá regularizar sua propriedade ambientalmente.
 
O presidente Dirceu Leite ressalta que, com essas entregas, a Epagri reforça o compromisso com a governança territorial, a preservação ambiental e o desenvolvimento rural sustentável. “Nossa meta é garantir que mais produtores alcancem a regularização necessária para acessar programas de crédito, incentivos e instrumentos de apoio fundamentais para o fortalecimento da agricultura catarinense”, diz ele.
 
Tecnologias sustentáveis da Epagri lideram mitigação climática no campo
 
Em 2025, a Epagri consolida os avanços alcançados no ciclo 2023–2025 na mitigação de emissões de carbono em Santa Catarina. As tecnologias sustentáveis implementadas pela empresa foram responsáveis por mais da metade da mitigação registrada no estado no período, totalizando 8,8 milhões de toneladas de carbono equivalente. Essas soluções chegaram a cerca de 19 mil empreendedores rurais, abrangendo 91 mil hectares.
 
 
As tecnologias sustentáveis implementadas pela Epagri foram responsáveis pela mitigação de 8,8 milhões de toneladas de carbono equivalente (Foto: Divulgação/Epagri)
Os dados são do relatório do Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono ABC+SC 2020-2030. Lançado em 2023, o ABC+SC tem participação da Epagri e de outros órgãos do Governo, além de organizações privadas do setor agropecuário. A meta é mitigar 86 milhões de toneladas de carbono até o ano de 2030. 
 
“Os resultados da Epagri mostram o compromisso institucional da empresa com adaptação climática e produção de alimentos com menor impacto ambiental, posicionando Santa Catarina como referência nacional em práticas sustentáveis”, afirma o presidente da Epagri, Dirceu Leite.
 
Resiliência climática
 
Além da sustentabilidade, as tecnologias da Epagri que fazem parte das ações previstas pelo Plano ABC+SC trazem maior resiliência às mudanças climáticas e menores custos de produção. O objetivo é reduzir perdas com eventos extremos, manter a competitividade, garantir a segurança alimentar e diminuir impactos ambientais. 
 
Uma das tecnologias que mais contribuiu para o cumprimento das metas do Plano ABC+SC foi o Sistema Plantio Direto de Grãos (SPDG). A ampliação da área plantada foi de 57 mil hectares. O SPDG protege o solo com plantas de cobertura, dispensando o revolvimento da terra fora da linha de semeadura, contribuindo para a fixação do carbono no solo e reduzindo as emissões.
 
Na pecuária, a Epagri está difundindo o Manejo e a Recuperação de Pastagens Degradadas (RPD) como meta do ABC+SC. O avanço nos últimos três anos foi de mais de 28 mil hectares. O sistema à base de pastagens melhora a infiltração de água, reduz a erosão e aumenta a capacidade adaptativa da pecuária em secas prolongadas.
 
Investimentos recordes impulsionam pesquisa e entrega de novas tecnologias
 
Os recursos destinados à pesquisa agropecuária da Epagri vêm registrando recordes consecutivos nos últimos três anos e, em 2025, alcançaram um novo patamar ao ultrapassar os R$51 milhões. No ano, a empresa executou 391 projetos e entregou 20 novas tecnologias para os produtores rurais.
 
 
Em 2025 a Epagri executou 391 projetos e entregou 20 novas tecnologias para os produtores rurais (Foto: Aires Mariga/Epagri)
Entre as tecnologias estão novas variedades de hortaliças e frutas, adaptadas às condições de Santa Catarina. O destaque são as variedades de alho e banana, que apresentam desempenho agronômico superior, com maior produtividade, qualidade e resistência a pragas e doenças.
 
“Nós comemoramos em 2025 meio século de existência da pesquisa agropecuária pública em Santa Catarina. Nada melhor do que ampliar os investimentos para reconhecer o valor de uma área que contribui de forma significativa para a competitividade da economia rural catarinense”, afirma o presidente Dirceu Leite. 
 
 
Uma das tecnologias da Epagri que mais se destacou em 2025 foi a variedade de arroz SCSBRS126 Dueto (Foto: Aires Mariga/Epagri)
O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação, Reney Dorow, explica que os investimentos em pesquisa têm efeito de médio e longo prazo. Segundo ele, a Epagri tem focado em inovações que ajudam os produtores rurais a enfrentar mudanças climáticas e reduzir os custos de produção. “Estes são os maiores desafios da agropecuária e a pesquisa deve estar conectada com as demandas do mercado”, reforça. 
 
Uma das tecnologias da Epagri que mais se destacou em 2025 foi a variedade de arroz SCSBRS126 Dueto, desenvolvida em parceria com a Embrapa e com o apoio do Centro de Ciências Agroveterinárias da Udesc. Lançada há apenas dois anos, a 126 Dueto já representa mais da metade da área plantada de arroz irrigado em Santa Catarina. 
 
O sucesso se deve à resistência da variedade tanto a baixas quanto a altas temperaturas na fase reprodutiva e à excelente produtividade. Os extremos de temperatura são efeitos comuns das mudanças climáticas, causando prejuízos às lavouras. Além disso, a SCSBRS126 Dueto tem se mostrado tolerante à doenças como a brusone de folha, que teve bastante incidência neste início de safra 2025/2026.
 
Epagri assume protagonismo no fortalecimento da aquicultura e da pesca
 
A Epagri vai coordenar o Programa de Fortalecimento Aquícola e Pesqueiro de Santa Catarina, lançado no final de 2025 pelo Governo do Estado. O programa vai destinar R$ 4,7 milhões para qualificação, inovação e atendimento ao setor. Entre os impactos previstos estão a ampliação do percentual de produtores tecnificados e o consequente aumento da produção catarinense de peixes e de frutos do mar.
 
 
Programa lançado pelo Governo do Estado vai destinar R$ 4,7 milhões para qualificação, inovação e atendimento ao setor aquícola e pesqueiro (Foto: Divulgação/Epagri)
Uma das ações será a contratação, já em 2026, de 33 novos profissionais, entre extensionistas, pesquisadores e assistentes de pesquisa. Esse reforço fortalece o atendimento direto aos pescadores artesanais e aquicultores e garante que o conhecimento gerado pela pesquisa chegue mais rapidamente às comunidades produtivas.
 
O programa também prevê a modernização da infraestrutura necessária para ampliar a presença da Epagri nos municípios. Os investimentos contemplam a estruturação de escritórios contêineres municipais, aquisição de novos veículos e compra de equipamentos eletrônicos e embarcações que darão suporte às ações de extensão e monitoramento na maricultura. O programa destina ainda recursos para modernizar as unidades de pesquisa da empresa em Florianópolis e em Itajaí.
 
Para o presidente da Epagri, Dirceu Leite, o programa inaugura um novo ciclo para a aquicultura e pesca de Santa Catarina. “Vamos levar conhecimento e tecnologia para ajudar o pescador artesanal e o aquicultor a ampliar a renda da família, mas também mostrar que o estado é um grande produtor. Santa Catarina tem potencial para dobrar sua produção aquícola e ampliar de forma expressiva a maricultura, e esses investimentos são o primeiros passo para transformar esse potencial em realidade”, afirma.
 
Prêmios reconhecem resultados da Epagri em 2025
 
A Epagri subiu ao palco várias vezes em 2025 para receber premiações por iniciativas realizadas em diferentes áreas da empresa: gestão administrativa, pesquisa agropecuária, ensino e extensão rural. Os prêmios incluem reconhecimento nacional e internacional a boas práticas de governança e a pesquisas que trazem benefícios significativos aos produtores rurais.
 
“As premiações reforçam nossa missão de construir uma empresa mais moderna, organizada e orientada a resultados, com capacidade crescente de planejar, executar e monitorar ações estratégicas para o desenvolvimento rural de Santa Catarina”, afirma o presidente Dirceu Leite. 
 
Reconhecimento Internacional
 
Na área de pesquisa, o destaque foi o reconhecimento internacional à variedade de arroz SCSBRS126 Dueto. A 126 Dueto foi finalista do “Prêmio da Aliança Global de Bioeconomia para Impacto e Liderança em Bioeconomia 2025”, promovido pela Novo Nordisk Foundation, sediada na Dinamarca. O prêmio foi recebido por Rubens Marschalek, pesquisador em Melhoramento Genético de Arroz Irrigado. A premiação destacou a contribuição da tecnologia para a segurança alimentar e adaptação às mudanças climáticas.
 
 
A 126 Dueto também venceu a edição 2025 do Prêmio de Inovação Catarinense Professor Caspar Erich Stemmer, na categoria Produto. A premiação foi entregue no dia 15 de dezembro, pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Santa Catarina (Fapesc). Além de placa e certificado, os vencedores terão acesso a um edital de fomento exclusivo, com recursos de até R$100 mil por projeto, para fortalecer as iniciativas premiadas.
 
Outro destaque internacional neste ano foi a pesquisa “Modelagem de crescimento de árvores nativas em sistemas silvipastoris tradicionais com ênfase no sequestro de carbono”. O projeto recebeu o Prêmio para o Progresso dos Pastos 2025, entregue durante evento em Portugal à Ana Lúcia Hanisch, pesquisadora da Estação Experimental da Epagri em Canoinhas. 
 
A pesquisadora coletou dados em caívas, sistemas agroflorestais que associam simultaneamente a criação de bovinos, a extração da erva-mate e a manutenção das árvores nativas. “As caívas têm pastagem e árvores, e ambas sequestram muito carbono. Se soubermos quanto, podemos gerar informações para que os agricultores possam vender créditos de carbono”, explica.
 
Sustentabilidade ambiental
 
Em 2025, a Epagri também foi premiada por várias ações na área de sustentabilidade. O projeto Estratégias para Proteção e Recuperação de Nascentes e Cursos d’Água em Propriedades Rurais, em parceria com o Consórcio Iberê, recebeu o Prêmio Expressão de Ecologia. Foi a 26º vez que a Epagri recebeu o troféu Onda Verde, o que faz dela a maior vencedora da história da premiação.  
 
O projeto premiado foi desenvolvido nos municípios de Cordilheira Alta e Chapecó. Produtores rurais receberam suporte técnico e recursos materiais para proteger Áreas de Preservação Permanente (APP), evitando judicialização e penalidades.  Foram recuperadas e protegidas 132 nascentes e 117 trechos de cursos d’água, distribuídos por 91 propriedades. 
 
 
Projeto da Epagri/Cedup alia educação ambiental, ciência e ação comunitária na recuperação e preservação de nascentes (Foto: Epagri/Divulgação)
Na área de Ensino, a Epagri/Cedup Vidal Ramos, em Canoinhas, conquistou o Prêmio Fritz Müller 2025, o mais importante reconhecimento ambiental de Santa Catarina. A instituição foi vencedora na categoria “Conservação de Recursos Naturais e da Vida Silvestre”, com o projeto “Raízes da Água”, criado para restaurar e proteger as nascentes localizadas dentro do território da escola. 
 
Segurança Alimentar
 
A Epagri/Cedup Campo Erê garantiu o primeiro lugar na etapa regional da Feira Estadual de Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (Fecitec/SC), na categoria ensino profissionalizante. O projeto, dos alunos Mariane Fuzinatto Zimmermann e Tiago Zanon Bortoli, aborda o uso de alimentos funcionais na alimentação de frangos de corte. 
 
Nos experimentos feitos pelos estudantes, eles comprovaram a eficácia do uso de alimentos como alho em pó, pimenta preta moída e orégano desidratado aliados à ração. A ideia surgiu ao perceberem a demanda por alimentos produzidos de forma segura e sustentável. 
 
Boas práticas de governança
 
Na área de gestão, o destaque foi para o gerenciamento de projetos. A Epagri ficou como um dos cinco melhores cases do setor público brasileiro na Premiação Agilidade Brasil 2025, ao lado de Petrobrás, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação do Espírito Santo. A iniciativa reconhece práticas inovadoras de gestão ágil.
 
O case da Epagri destaca a criação da cadeia de valor da empresa por meio de uma plataforma ágil. A ferramenta permite aos públicos interessados visualizar os fluxos de trabalho, a padronização de processos e a integração das áreas de pesquisa, extensão rural e ensino. 
 
 
Prêmio PMI-SC valoriza iniciativas que se destacam pela gestão eficiente, inovação, impacto e contribuição para o desenvolvimento do estado (Foto: Aires Mariga/Epagri)
Na esfera estadual, a Epagri se destacou no Prêmio PMI-SC Melhores do Ano 2005 entre as três melhores instituições na categoria Escritório de Gerenciamento de Projetos (PMO). O diferencial da Epagri está na convergência entre inovação tecnológica, transparência pública e governança estratégica. A metodologia implementada já permitiu a redução de 30% do tempo médio de consolidação e atualização das informações em programas estratégicos.
 
Para o presidente Dirceu Leite, os avanços registrados ao longo de 2025 representam um período de fortalecimento da Epagri. “Encerramos o ano com uma empresa mais moderna, estruturada e preparada para os desafios do desenvolvimento rural catarinense. Os resultados refletem o trabalho comprometido de nossas equipes e a confiança da sociedade nas nossas ações. Temos  certeza de que entregamos uma Epagri mais forte, mais eficiente e mais próxima das pessoas. Em 2026, nossa caminhada continua para consolidar uma gestão comprometida com resultados e inovação, sempre focada no atendimento às famílias rurais e no desenvolvimento do agro catarinense”, conclui o presidente.
 
Com a colaboração de Cléia Schmitz, jornalista bolsista Epagri/Fapesc


Blog

REURB: quem paga a conta da regularização?
Por: Alexandre Balbino
Especialista em Regularização Fundiária Urbana
 
 
Uma das perguntas mais comuns quando se fala em Regularização Fundiária Urbana é: afinal, quem paga pela regularização?
 
A resposta depende principalmente da modalidade da REURB e da situação de cada núcleo urbano.
A Lei Federal nº 13.465/2017 estabelece duas modalidades principais: a REURB de Interesse Social (REURB-S) e a REURB de Interesse Específico (REURB-E).
 
Na REURB-S, destinada aos núcleos ocupados predominantemente por população de baixa renda, existem gratuidades previstas em lei para diversos atos relacionados à regularização e ao registro dos imóveis. O objetivo é justamente permitir que a condição econômica da família não impeça o acesso à propriedade regularizada.
 
Já na REURB-E, aplicável às situações que não se enquadram como interesse social, a lógica é diferente. Os custos dos projetos, levantamentos técnicos, estudos, infraestrutura necessária e demais providências podem ficar sob responsabilidade dos beneficiários ou interessados na regularização, conforme cada caso.
 
Por isso, é importante compreender que REURB não significa regularização gratuita para todos.
 
Outro ponto que precisa ser analisado é se a ocupação está localizada em área pública ou privada. A origem da área, a modalidade da REURB, a situação urbanística e a forma de titulação influenciam diretamente o procedimento e as responsabilidades envolvidas.
 
Cada núcleo possui uma história diferente e precisa ser analisado individualmente.
 
Mas existe também um custo que muitas vezes não aparece: o custo de permanecer irregular.
 
Um imóvel sem matrícula individualizada pode enfrentar dificuldades para ser vendido, financiado, transmitido aos herdeiros ou utilizado como garantia. Além disso, a irregularidade pode gerar insegurança jurídica por muitos anos.
 
Por isso, antes de perguntar apenas quanto custa regularizar, é importante também perguntar: quanto pode custar continuar sem regularizar?
 
Regularizar é transformar uma situação de fato em segurança jurídica para o presente e para as próximas gerações.
 
Tem dúvidas sobre a situação do seu imóvel ou do seu bairro?
 
Envie sua pergunta pelas nossas redes sociais. Sua dúvida pode virar tema da próxima coluna aqui na Revista Portuária.
 
Santa Catarina é o estado com menor índice de desemprego do país

Das 27 unidades da federação do país, 11 terminaram o segundo trimestre de 2026 com taxa de desemprego abaixo da média nacional, de 5,4%. Em cinco deles, o índice sequer chega a 3%.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada na manhã desta sexta-feira (14), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Veja quais estados atingiram nível de desemprego abaixo da média nacional:

Santa Catarina: 2,1%

Mato Grosso: 2,2%

Espírito Santo: 2,3%

Rondônia: 2,6%

Mato Grosso do Sul: 2,7%

Paraná: 3,1%

Minas Gerais: 3,8%

Goiás: 4,0%

Tocantins: 4,1%

Rio Grande do Sul: 4,2%

Roraima: 5,0%

Média Brasil: 5,4%

Paraíba: 5,4%

São Paulo: 5,4%

Rio Grande do Norte: 5,6%

Maranhão: 6,0%

Pará: 6,2%

Distrito Federal: 6,5%

Acre: 6,6%

Ceará: 6,6%

Rio de Janeiro: 7,1%

Amazonas: 7,5%

Alagoas: 7,9%

Sergipe: 7,9%

Piauí: 8,3%

Pernambuco: 8,3%

Bahia: 9,1%

Amapá: 9,8%

O analista da pesquisa, William Kratochwill, explica que a diferença entre os estados é proporcionada por fatores ligados aos níveis de industrialização, evolução da atividade econômica e de instrução da população.

"Santa Catarina e a região Sul como um todo apresentam níveis muito mais fortes que os estados do Norte e Nordeste", assinala.

Na média nacional, a taxa de 5,4% no segundo trimestre representa recuo em relação aos 6,1% do primeiro trimestre.

Já entre as unidades da federação, o desemprego diminuiu em 13 localidades. As demais ficaram estáveis.

Confira os estados que reduziram o desemprego no segundo trimestre.

Santa Catarina (-0,6 ponto percentual)

Maranhão (-0,9 p.p.)

Espírito Santo (-0,9 p.p.)

Mato Grosso (-0,9 p.p.)

Goiás (-1 p.p.)

Rondônia ( -1 p.p.)

Mato Grosso do Sul (-1,1 p.p.)

Minas Gerais (-1,2 p.p.)

Alagoas (-1,3 p.p)

Tocantins (-1,5 p.p.)

Acre (-1,6 p.p.)

Paraíba (-1,6 p.p.)

Rio Grande do Norte (-1,9 p.p.)

A pesquisa
A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo.

Pelos critérios do instituto, só é considerada desocupada a pessoa que efetivamente procurou uma vaga 30 dias antes da pesquisa. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

Queda no desemprego longo
De acordo com a Pnad, 1,06 milhão de pessoas enfrentavam o chamado desemprego longo, isto é, pessoas que estão à procura de vagas há dois anos ou mais. Esse é o menor contingente de toda a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Em relação ao mesmo trimestre de 2025, a queda nesse contingente foi de 15,6%.

Negros e mulheres acima da média
O levantamento do segundo trimestre aponta ainda que o desemprego para homens (4,6%) ficou abaixo da média nacional, enquanto o das mulheres ficou acima (6,4%).

Ao observar os números pela cor da pessoa, a desocupação de pretos (6,9%) e pardos (6,1%) é maior que a média; enquanto o dos brancos, abaixo (4,2%).

A pesquisa do IBGE não utiliza o termo negro. Mas o Estatuto da Igualdade Racial considera população negra o conjunto de pessoas que se autodeclaram pretas e pardas. 

FIESC debate emissões de gases de efeito estufa da indústria catarinense

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) promove, no dia 18 de agosto, reunião do Conselho de Meio Ambiente e Sustentabilidade. Entre os principais temas da programação está a apresentação das Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) da Indústria Catarinense, que será conduzida por Charles Leber, consultor sênior do Instituto SENAI de Tecnologia Ambiental e coordenador do Hub de Descarbonização.

A discussão sobre as emissões de GEE integra a agenda da indústria catarinense voltada à descarbonização e à adoção de estratégias para reduzir impactos ambientais e ampliar a sustentabilidade dos processos produtivos. 

O encontro também aborda o tema “Áreas Contaminadas: desafios e perspectivas para a gestão ambiental”, com Gilberto Vilas Boas Souza, diretor da Merit Engenharia Ambiental.

Os presentes vão conferir apresentação do MBI em Descarbonização e Economia Verde do UniSENAI – SC, que será apresentado pelo coordenador do curso, profº  Matheus Krüeger, e pelo curador do curso, profº. Pedro Kraus.

Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC

Gerência de Comunicação

Indústria têxtil busca velocidade para enfrentar avanço da ultra fast fashion

 

 A velocidade da ultra fast fashion está impondo uma nova régua de competitividade à indústria têxtil. O tema foi discutido nesta quinta-feira (13), em reunião do Conselho da Indústria Têxtil, Confecção, Couro e Calçados da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC). O mercado global de ultra fast fashion deve mais que dobrar até 2033, passando de US$ 62,75 bilhões para US$ 160,91 bilhões.

Presidente do conselho, César Döhler destacou a pressão provocada pelo aumento das importações de vestuário e pelas compras em plataformas digitais. Para ele, a resposta passa por inovação e pela união da cadeia. “O setor têxtil é resiliente e tem capacidade de adaptação. Precisamos transformar os desafios em uma agenda de competitividade, inovação e valorização da indústria brasileira”, afirmou.

O presidente da Audaces, Matheus Fagundes, explicou que a competição deixou de ocorrer em ciclos de meses e passou a ser medida em semanas e até dias. Um dos exemplos apresentados mostra a diferença de escala: enquanto o mercado norte-americano lança cerca de 23 mil novos itens por ano, a China chega a 1,5 milhão.

“A competição se tornou uma questão de velocidade. A tecnologia é um meio para reduzir o tempo, integrar a cadeia e permitir decisões mais rápidas, com base em dados”, destacou Fagundes. Segundo ele, inteligência artificial, digitalização de processos e redução de estoques estão entre os caminhos para aumentar a produtividade.

O cenário também acende um alerta para o mercado brasileiro. Na Argentina, cerca de 70% das roupas vendidas já são importadas, exemplo utilizado para mostrar os riscos da perda de competitividade da indústria local. “Se a gente não for competitivo lá fora, o produto lá de fora vai ser competitivo aqui dentro”, resumiu Fagundes.

Em Santa Catarina, o impacto é significativo. O setor têxtil é o que mais emprega e o segundo em número de estabelecimentos na indústria estadual. Em 2023, concentrava 170.787 empregos formais, equivalentes a 18,9% da indústria catarinense. Em 2024, as exportações do segmento somaram cerca de US$ 288,6 milhões.

Além da tecnologia, o setor defende maior integração da cadeia, qualificação profissional, uso estratégico de dados, diversificação de mercados e aproximação com o consumidor. “A régua mudou. Não basta fazer o que funcionou no passado. É preciso ganhar velocidade e usar tecnologia para competir”, concluiu Fagundes.


Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

Portos de Imbituba e Laguna apresentam potencial logístico e oportunidades de negócios na feira Logistique 2026

Os Portos de Imbituba e Laguna participam, nesta semana, da 7ª edição da Feira de Logística, Intralogística, Transporte Multimodal e Comércio Internacional – Logistique 2026, que acontece de 11 a 13 de agosto, no Expocentro Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Os portos do sul catarinense estão presentes na área de exposições com um estande compartilhado com o Porto de São Francisco do Sul, onde apresentam suas potencialidades, infraestrutura, operações e oportunidades de negócios.

Localizado na Rua A, nº 106, o espaço institucional recebe visitantes, clientes, parceiros, autoridades e profissionais do setor ao longo dos três dias de evento. A participação é uma oportunidade para ampliar relacionamentos, apresentar as características dos complexos portuários e fortalecer conexões com empresas e agentes da cadeia logística. A entrada na feira é gratuita, das 13h às 20h.

Além da participação na área de exposições, no primeiro dia do evento, o Porto de Imbituba foi um dos destaques da programação do Logistique Summit, fórum que reúne representantes do setor produtivo, entidades empresariais e instituições públicas e privadas para discutir os principais desafios e oportunidades da logística e do comércio internacional.

Nesta terça-feira (11), o diretor-presidente dos Portos de Imbituba e Laguna, Christiano Lopes, participou do Painel 2, que abordou o tema “Como os Portos Brasileiros Podem Reduzir Custos e Aumentar a Competitividade das Exportações e Importações”. O encontro tratou de estratégias para ampliar a eficiência portuária e reduzir custos logísticos, com a participação de lideranças e representantes de diferentes segmentos relacionados ao comércio exterior.

“O Porto de Imbituba vive um grande momento. Em 2024, batemos recorde de movimentação e tiramos do papel obras fundamentais, algumas já entregues e outras em andamento. Estamos entregando uma nova estrutura logística para Santa Catarina e para o Brasil. Hoje, não temos gargalos, mas nosso desafio é concluir a mecanização das operações de cais, para aumentar ainda mais a produtividade. Estamos olhando para o futuro, mas fazendo muito bem o presente, com planejamento e previsibilidade”, afirmou Christiano Lopes, diretor-presidente dos Portos de Imbituba e Laguna, durante o painel.

Considerada uma das principais feiras do setor no Sul do Brasil, a Logistique 2026 reúne operadores logísticos, portos, terminais, transportadoras, importadores, exportadores e especialistas para promover o intercâmbio de conhecimento, estimular negócios e apresentar soluções voltadas à cadeia logística e ao comércio internacional.

Nesta edição, o evento tem como tema “Conexão de Soluções para a Logística Integrada e o Comércio Internacional: Inteligentes, Sustentáveis e Resilientes”, reforçando a proposta de aproximar diferentes atores e soluções para os desafios atuais do setor.

Comunicação Social dos Portos de Imbituba e Laguna  

JBS tem mais de 80 oportunidades de emprego no Sul Catarinense

A JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, está com mais de 80 vagas de emprego abertas para o cargo de Operador de Produção nas unidades industriais de Forquilhinha e Nova Veneza (SC). As oportunidades são para contratação imediata, não exigem experiência prévia e contam com três turnos de trabalho, com capacitação oferecida pela empresa. As vagas incluem pessoas com deficiência.


Para se candidatar, os interessados devem comparecer presencialmente nas unidades. As entrevistas são realizadas de segunda a quinta-feira, às 08h e às 13h. Não há necessidade de agendamento prévio e os candidatos também podem enviar o currículo por e-mail ou WhatsApp, nos endereços e contatos abaixo:

Forquilhinha:

Endereço: Av. 25 de Julho - Centro, Forquilhinha - SC, 88850-000
WhatsApp: 48 9168-3371
E-mail: heloizi.niehues@seara.com.br
 
Nova Veneza: 
Endereço: R. Alfredo Pessi, 2000 - Bortolotto, Nova Veneza - SC, 88865-000
Whatsapp: 48 9177-6520
E-mail: juliana.nascimento@seara.com.br
Para participar do processo seletivo, em todas as vagas, é necessário ter idade mínima de 18 anos. As oportunidades são oferecidas por meio do regime de contratação CLT, incluindo todos os benefícios previstos pela categoria. Profissionais interessados em fazer parte do banco de talentos da JBS, em todo o Brasil, também podem se cadastrar pelo site: www.jbs.com.br/carreiras.
 
Sobre a JBS
A JBS é uma empresa global líder em alimentos, com um portfólio diversificado de produtos de alta qualidade, incluindo frango, suínos, bovinos, cordeiros, peixes e proteínas vegetais. A companhia emprega mais de 282 mil pessoas e opera em mais de 20 países, como Brasil, Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Austrália. No mundo todo, a JBS oferece um amplo portfólio de marcas reconhecidas pela excelência e inovação, como Friboi, Seara, Swift, Pilgrim’s Pride, Moy Park, Primo, Just Bare, entre outras, que chegam diariamente à mesa de consumidores em 180 países. A empresa também investe em negócios correlatos, como couro, biodiesel, colágeno, fertilizantes, envoltórios naturais, soluções para gestão de resíduos sólidos, reciclagem e transporte, com foco na economia circular. 


Em Santa Catarina, a JBS mantém 25 fábricas distribuídas por todas as macrorregiões do estado. A companhia está entre as maiores empregadoras catarinenses, com cerca de 24 mil colaboradores diretos e operações em 24 municípios. Além das unidades da Seara e da JBS Novos Negócios, a empresa conta com uma unidade produtiva da Mantiqueira, quatro granjas, cinco incubatórios, três centros de distribuição, uma operação transportadora, duas operações portuárias e um Centro de Biotecnologia Avançada.
Saiba mais em jbsglobal.com.

 

Movecta avança em Itajaí e ganha espaço no mercado logístico nacional

A Movecta ampliou sua participação em Itajaí no primeiro semestre de 2026, em comparação ao mesmo período do ano passado, alcançando 18,9% de share em zona seca, além de crescimento de 18,4% em volume, segundo estudo elaborado pela empresa com base em dados da Logcomex*. A operação também se destacou pela evolução em setores estratégicos, com avanço superior a 40% em cadeia fria e acima de 23% em eletrônicos, reforçando uma trajetória de expansão sustentada por execução comercial e ganho de relevância operacional.

Os dados mostram que a Movecta vem ampliando sua presença em um mercado competitivo e fragmentado, com crescimento distribuído entre clientes e maior força em segmentos como cadeia fria e eletrônicos. O avanço em Itajaí reflete uma construção consistente de relacionamento com o mercado e de especialização operacional. Para Gustavo Paschoa, CCO da Movecta, “Itajaí é uma praça extremamente competitiva, então crescer com ganho de share e expansão distribuída em setores prioritários mostra a qualidade da nossa proposta de valor. Nossa prioridade é seguir ampliando presença, serviço e eficiência para transformar esse avanço em uma posição cada vez mais sólida”.
Com o resultado, a Movecta reforça sua estratégia de crescimento por ganho de participação, e não apenas por expansão do mercado. A companhia segue trabalhando para aprofundar sua presença comercial e consolidar novas frentes de negócio em uma das rotas mais relevantes para o comércio exterior brasileiro. 

Sobre a operação da Movecta em Itajaí

Presente na cidade desde 2004, a Movecta conta com Terminal CLIA e Armazém Geral, localizados a 7 km do Porto de Itajaí, 17 km do Porto de Navegantes e a 3 minutos da BR-101, o que favorece agilidade operacional e integração logística. A estrutura soma mais de 85 mil m² de área total, com 7.400 m² de armazenagem e 6.700 posições pallet; e se destaca em cadeia fria, com capacidade para inspeção de até 800 toneladas por dia de cargas refrigeradas para fiscalização do MAPA e armazenagem reefer. Soma-se a isso a atuação aduaneira em regimes como Entreposto Aduaneiro, DAC, Admissão Temporária e Regime Comum, além de soluções logísticas personalizadas, operações complexas e serviços de valor agregado, como etiquetagem, rotulagem, selagem, montagem de kits, paletização, gestão de inventário, picking e packing.
 
Movecta fortalece atuação em suas principais bases operacionais
Além do resultado em Itajaí, a Movecta vem fortalecendo sua posição em outras praças estratégicas. Em Suape, onde mantém uma operação relevante para o Nordeste, a companhia alcançou 56,32% de share no primeiro semestre de 2026 e cresceu 28,6% em volume movimentado. Esse desempenho é sustentado por uma atuação diversificada em segmentos como cadeia fria, químicos, maquinário, eletrônicos, bebidas e farmacêutico, combinada a investimentos em infraestrutura, tecnologia e ampliação da capacidade operacional. No escopo analisado pelo estudo, que inclui as operações de Santos, Guarujá, Suape, Itajaí e Navegantes, a Movecta cresceu 45,3% na comparação entre o primeiro semestre de 2025 e o mesmo período de 2026, elevando sua participação no mercado total de 2,71% para 3,62% em três semestres. Os resultados reforçam uma trajetória de ganho de posição baseada em eficiência, especialização e expansão do relacionamento com os clientes.
 

Sobre a Movecta

Com 72 anos de atuação, a Movecta se consolidou como um provedor logístico preferencial no mercado brasileiro. A companhia possui operações concentradas nos estados de São Paulo, Santa Catarina e Pernambuco, contando com oito unidades operacionais, das quais seis são terminais alfandegados, que somam mais de 450 mil metros quadrados de área disponível.
A Movecta é a única empresa do setor com terminais alfandegados localizados nos principais hubs marítimos de comércio exterior do país e se destaca por operar o único terminal alfandegado frigorificado do Porto de Santos. A empresa também tem forte atuação na logística de produtos químicos e mantém foco estratégico na oferta de soluções logísticas integradas para diversos segmentos, como bebidas, fármacos, eletrônicos, maquinários, cargas de projeto e cargas fracionadas, entre outros.
 

 

 

Oportunidade para Starups em encontro no Elume Park
No próximo dia 18 de agosto, o Elume Park será o ponto de encontro para uma tarde de tecnologia, inovação e empreendedorismo. O evento reunirá startups e empresas consolidadas para uma programação voltada à capacitação, captação de investimentos e ampliação de redes de contato, ampliando os conhecimentos para ampliar e buscar fomentos para os negócios.
 
Com foco em transformar ideias em projetos, a programação do dia contará com dois workshops
 
16h | Workshop:  Ignition Startup
Conecte sua startup a linhas de fomento e investidores, ampliando as oportunidades para acelerar o crescimento do seu negócio.
 
 
17h30 às 19h | Workshop: Fomento, do Recurso à Transformação
Saiba como acessar recursos de fomento e transformar ideias em projetos estruturados e com potencial de captação.
 
Clique aqui para garantir a sua participação: https://scmaisinovacao.digital/e/R7FWZ4
Inscrições estão abertas para palestra sobre compras públicas em Itajaí
Estão abertas as inscrições para a palestra sobre compras públicas promovida pela Sala do Empreendedor de Itajaí. A capacitação será realizada no dia 27 de agosto, às 15h, no auditório do Edifício Zen Tower, e é voltada a Microempreendedores Individuais (MEIs), Microempresas (MEs) e Empresas de Pequeno Porte (EPPs) que desejam entender como participar dos processos de contratação do Município.
 
A participação é gratuita e as inscrições podem ser feitas pela loja virtual do Sebrae, pelo link https://sc.loja.sebrae.com.br/palestra-de-compras-publicas-ev-819585. A proposta do encontro é aproximar os pequenos negócios desse mercado e mostrar, de forma prática, quais são os caminhos para identificar oportunidades e se preparar para participar das contratações públicas.
 
As compras públicas envolvem a aquisição de produtos, contratação de serviços e realização de obras necessárias ao funcionamento da Administração Pública. Para as empresas que atendem às exigências, esses processos representam uma oportunidade de fornecer ao Município.
 
Os participantes receberão orientações sobre como acompanhar a publicação de editais, quais são os requisitos para participar das licitações, a documentação necessária, a apresentação de propostas e o funcionamento das disputas eletrônicas. A capacitação também abordará cuidados importantes antes de uma empresa participar de uma contratação pública.
 
Outro tema será o tratamento diferenciado previsto para os pequenos negócios. A Lei Complementar Federal nº 123/2006 e a Lei Municipal nº 7.785/2025 estabelecem mecanismos aplicáveis aos MEIs, Microempresas e Empresas de Pequeno Porte.
 
Conforme as características da contratação e as regras de cada edital, podem existir condições específicas relacionadas à regularização fiscal e trabalhista, critérios de desempate e participação em determinadas contratações destinadas ou reservadas aos pequenos negócios.
 
Com a iniciativa, a Sala do Empreendedor busca ampliar o acesso dos pequenos negócios às informações sobre compras públicas e incentivar a participação das empresas locais nas oportunidades de contratação do Município.
Inscrições
 
As inscrições são gratuitas e devem ser realizadas pela loja virtual do Sebrae:
https://sc.loja.sebrae.com.br/palestra-de-compras-publicas-ev-819585
Agro responde por 47,9% das exportações em julho

As exportações do agronegócio brasileiro movimentaram US$ 16,34 bilhões em julho de 2026, o equivalente a 47,9% de tudo o que o Brasil exportou no mês. O resultado representa crescimento de 5,4% em relação a julho de 2025.

Os dados são de um levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), elaborado a partir de informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Ao todo, 1.476 municípios brasileiros contribuíram para as exportações do agronegócio em julho. O número representa uma redução de 1,3% em comparação com o mesmo período de 2025.

Entre os municípios, o principal destaque foi Três Lagoas (MS), que movimentou US$ 255,9 milhões com a exportação de celulose. No recorte estadual, Mato Grosso do Sul liderou as exportações do agronegócio, com US$ 2,96 bilhões, correspondendo a 18,1% das vendas externas do setor no mês. Ao todo, 77 municípios sul-mato-grossenses exportaram 45 produtos agropecuários diferentes.

A soja permaneceu como principal produto da pauta de exportações do agronegócio brasileiro. Em julho, foram movimentados US$ 5,87 bilhões, alta de 17,4% na comparação com julho de 2025. O produto respondeu por aproximadamente 36% das exportações do agronegócio no mês e envolveu 153 municípios exportadores.

Na segunda posição ficou a carne bovina in natura, com US$ 1,45 bilhão em vendas externas. O resultado representa uma queda de 5,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, influenciada principalmente pela redução de 40% nas compras da China. A celulose ocupou a terceira posição, com US$ 1,06 bilhão exportado. O produto apresentou crescimento de 30,8% na comparação anual.

China continua como principal destino

A forte participação da soja nas exportações também manteve a China como principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro. O país asiático importou US$ 5,64 bilhões em produtos do setor em julho e foi destino das exportações de 257 municípios brasileiros.

Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com US$ 944,49 milhões em compras, impulsionadas principalmente pela carne. Apesar disso, o valor representa uma queda de 12,1% em relação a julho de 2025.

As importações brasileiras de produtos agropecuários somaram US$ 1,75 bilhão em julho, uma redução de 2,8% na comparação com o mesmo mês de 2025. O trigo foi o principal produto importado, com US$ 157,02 milhões.

No acumulado de 2026, as importações do agronegócio chegaram a US$ 11,71 bilhões, enquanto as exportações alcançaram US$ 103,39 bilhões. Com esses resultados, o setor registrou superávit de US$ 91,68 bilhões na balança comercial no acumulado do ano. De janeiro a julho, o agronegócio respondeu por 47,3% de todas as exportações brasileiras, reforçando o peso do setor para o comércio exterior e para o resultado da balança comercial do país.

Prefeitura de Balneário Camboriú recebe comitiva de empresários da China
Na tarde desta segunda-feira (10), uma comitiva de empresários da China participou de um importante encontro com a prefeita Juliana Pavan, secretários e diretores-presidentes de Balneário Camboriú, onde puderam apresentar suas tecnologias e o interesse em firmar parceria com o município. 
 
Na oportunidade, os chineses puderam conhecer um pouco sobre os trabalhos de tratamento de esgoto, coletas e tratamento de lixo sólido, além de apresentar propostas inovadoras das áreas. Energia solar e construção com estrutura metálica também compuseram as pautas debatidas na reunião. 
 
Participaram do encontro os secretários de Articulação, Omar Tomalih; de Governo, Inovação e Orçamento, Gilson Bordin; de Comunicação, Dagmara Spautz; da Fazenda, Magda Bez; e os diretores-presidentes da Empresa Municipal de Água e Saneamento (Emasa), Auri Pavoni, e da BC Investimentos, Fábio Fiedler. 
 
A prefeita Juliana Pavan destaca que a aproximação com os chineses iniciou no final de 2025, com a visita do vice-prefeito Nilson Probst, junto com a comitiva da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (Amfri), nas cidades de Guangzhou, Hong Kong e Shenzhen. 
 
“Agora eles vêm aqui para poder conhecer de perto a nossa cidade e o nosso potencial. As oportunidades que temos e, ao mesmo tempo, entender também o que eles procuram. Aqui eles mencionaram algumas ideias, e é o início, claro, de uma aproximação que pode resultar em novos investimentos, negócios e parcerias para a nossa cidade”, disse.
 
O integrante da comitiva chinesa, Hao Yun, comenta que o Brasil é muito forte no agronegócio, enquanto a China domina o cenário tecnológico. 
 
“Nessa visita, a gente realmente faz uma missão para conhecer todos os lados de Balneário Camboriú, e pensamos que realmente temos uma grande chance de fazer parceiros nas áreas de energia solar, tratamento de esgoto e lixos sólidos, então recebemos muitas informações e espero que, no futuro, a gente possa fazer muitas cooperações juntos”, enfatizou.
Município de Itajaí manifesta preocupação com dragagem e concessão do Complexo Portuário de Itajaí
O gabinete de Prefeito de Itajaí recebeu os representantes do setor produtivo e da comunidade portuária para tratar das preocupações com o andamento da concessão do Complexo Portuário de Itajaí e a dragagem do canal no rio Itajaí-Açu. A pauta foi discutida no encontro realizado nesta segunda-feira (10).
 
Ao acolher as demandas do movimento e compreender a importância do Complexo Portuário de Itajaí para a economia da cidade, o Município de Itajaí enviou ofício ao Ministério de Porto e Aeroportos e à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ). O documento apresenta questionamentos técnicos relacionados à concessão e expressa a preocupação com o período de transição entre o atual modelo e o início da vigência da próxima concessão.
 
O Município de Itajaí atua como apoiador do movimento liderado pelas entidades representativas do setor produtivo e da comunidade portuária e, alinhado com os órgãos intervenientes, representa o município e seus cidadãos no fortalecimento do Porto de Itajaí, o complexo portuário e toda a cadeia produtiva.
Economia & Negócios: Taxa de juros

Augusto César Diegoli (acdiegoli.gmail.com)

Bancos

Uma audiência pública na Alesc discutiu o fechamento de agências bancárias em SC. Se propôs criar uma comissão para elaborar leis que exijam  manutenção de atendimento presencial, em especial nos municípios de menor porte, onde há impactos negativos para suas economias. O argumento dos bancos é o avanço da digitalização dos serviços bancários. Em 10 anos houve uma redução de 40% no número de agências em SC, com a consequente redução de 30% de postos de trabalho. O negativo nisso é a estratégia de precarização no atendimento da população de baixa renda por parte de algumas instituições financeiras, inclusive as do governo. Enquanto o atendimento presencial está restrito à alta renda, a população mais carente fica limitada aos chamados correspondentes bancários, que só em SC são 12,3 mil, 21 vezes o número de agências bancárias.

Representação desigual

O portal Brasil 61 fez interessante levantamento apontando a absurda representatividade desigual do eleitorado por Estado no Congresso Nacional. O exemplo de SC: dividindo-se o total do eleitorado pelos dados oficiais de 2002 pelo número de deputados federais (16), cada um corresponde a 357.859 eleitores, número só superado por São Paulo (487.203) e Pará (368.500). Na outra ponta está Roraima, com apenas 50.187 eleitores para cada um dos seus oito deputados federais. Alguns deles foram eleitos com pouco mais de 5 mil votos.

Por que o Paraguai?

País vizinho se tornou um dos principais destinos de investimentos industriais, inclusive de empresas catarinenses, ao oferecer incentivos para a instalação de fábricas. Marcas tradicionais do Estado apostam na produção em solo paraguaio para ganhar competitividade global. Por trás desse movimento, se discute até que ponto a migração econômica pode impactar a desindustrialização regional.

Paraguai abre as portas para SC

O que Altenburg, Dohler e Karsten têm em comum? Existe uma primeira resposta óbvia para essa pergunta: são empresas catarinenses que se destacam na produção têxtil e concorrem entre si. O trio de gigantes centenárias, porém, compartilha outra semelhança que agora começa a ser mais percebidas pelo mercado: todas enxergaram no Paraguai uma alternativa para reduzir custos operacionais e diversificar a estratégia industrial. E elas estão longe de serem casos isolados. Buddemeyer e Lunelli são outras companhias do ramo em SC que também já fizeram apostas por lá. Nos últimos anos, o país vizinho estendeu um tapete vermelho para atrair investimentos, boa parte deles estrangeiros. Estabilidade econômica e política – o Partido Colorado encabeça o governo de forma praticamente ininterruptas há quase 80 anos, alíquotas de importação e exportação mais atrativas, simplificação tributária e uma folha salarial com menos encargos trabalhistas são frequentemente apontados por empresários e especialistas como motivos que justificam a migração de ao menos parte da cadeia produtiva de alguns setores para o território paraguaio.  

Pronegócio chega a 75ª edição

Brusque volta a ser o centro das atenções do setor de confecção entre os dias 11 e 14 de agosto, com a realização da 75ª Pronegócio, promovida pela Associação das Micro e Pequenas Empresas de Brusque e Região (AmpeBr). A rodada de negócios, que acontece no Pavilhão de Eventos, reunirá cerca de 140 indústrias catarinenses para apresentar a coleção Alto Verão 2027 a mais de 600 compradores de todo o país. Por ser uma rodada voltada às entregas dos meses de outubro, novembro e dezembro, a expectativa é de bons resultados, especialmente diante da importância das vendas de fim de ano para o varejo.

Ideb

O Ministério da Educação divulgou o novo resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) referente 2025 e o destaque para SC é o desempenho das escolas particulares. O Estado ficou em primeiro no ranking nacional quanto aos anos iniciais, 2º nos anos finais e 7º no ensino médio. Nada mal. No desempenho geral, incluindo as redes pública e privada, SC ficou em 3º nos anos iniciais, 6º nos anos finais e 10º no ensino médio. A registrar que SC, junto com outros 10 estados, conseguiu evoluir comparativamente a 2023. Naquele ano sua nota geral no ensino médio foi 3,8, posicionando-se na 16ª colocação nacional. Em 2025 a nota subiu para 4,3 e no ranking nacional evoluiu para o 10º lugar. Nacionalmente, no ensino médio, o Paraná lidera, com nota 5,1.

Ferrovias em SC

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) recebeu audiência pública da Agência Nacional de Transportes Terrestres para debater o modelo de concessão ferroviária da Malha Sul. Durante o evento, a Fiesc defendeu a ampliação do prazo de discussão e a revisão do modelo. O posicionamento foi apresentado pelo presidente do Conselho para Assuntos de Transporte e Logística da entidade. Segundo a Fiesc, a proposta não contempla adequadamente a realidade logística de SC, especialmente em relação aos portos, aos corredores de exportação e à expansão da malha ferroviária. A Fiesc também demonstrou preocupação com a divisão da estrutura em três corredores e com a ausência de investimentos em trechos estratégicos para a indústria catarinense. O material apresentado não considerou os portos de SC, com exceção de São Francisco do Sul. Santa Catarina é hoje o segundo maior movimentador de contêineres do Brasil, e os planos apresentados não refletem essa realidade. A federação, em conjunto com outras entidades, defende a reformulação do projeto e a ampliação da participação dos estados e do setor produtivo nas discussões, incluindo a revisão do modelo de divisão dos lotes, a ampliação dos investimentos e o fortalecimento da conexão ferroviária com os portos catarinenses.  

Para vender

Embora faça (tem feito muito mais até um passado recente) críticas à linha editorial da Globo, o empresário brusquense Luciano Hang agora é o maior anunciante nela, através de sua rede de lojas Havan, de suas afiliadas pelo Brasil. Só de janeiro a junho deste ano a Havan apareceu 2.132 vezes em programas ou telejornais locais.

Lista

O Tribunal de Contas do Estado aprovou a relação de mais de 200 responsáveis com contas rejeitadas no exercício de funções públicas, por decisão irrecorrível, que irá para a Justiça Eleitoral. Esta instância decidirá, após análise e se for o caso de haver nomes de candidatos às eleições deste ano, pela sua inelegibilidade ou não. A relação aprovada pelo TCE será disponibilizada em seu portal institucional. Não diz quando, mas é aguardada com muita expectativa, tanto para quem milita na política partidária como fora dela.

Jornada de 40 horas

A Portallar anunciou a adoção de uma jornada de 40 horas semanais, de segunda a sexta-feira, para os colaboradores da empresa. A mudança ainda será submetida à aprovação em assembleias sindicais e, se receber o aval dos trabalhadores, deverá entrar em vigor na segunda quimzena de agosto. Conforme informado pela empresa nas redes sociais, a iniciativa representa uma mudança na organização da jornada de trabalho e faz parte de um conjunto de ações voltadas à valorização dos colaboradores. Segundo o presidente do Sindmestre, a Portallar será a primeira indústria têxtil de Brusque a implantar esse modelo de carga horária.

Mobilidade social

Conforme dados divulgados, extraídos do Atlas da Mobilidade Social de 2026, plataforma pública e interativa desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social, o Estado brasileiro com mais chances de nascidos na classe média chegarem ao grupo dos mais ricos é SC. Essa probabilidade varia de 7,99% no Amazonas, a 27,15% em SC. Brasis, afinal, com suas diferenças abissais.

Preferência do crime

Sem fornecer mais dados, o Conselho Nacional de Justiça divulgou um estudo apontando que o mercado imobiliário tem a maior preferência do crime organizado para lavagem de dinheiro. Só não diz onde. Alguma dúvida de que Balneário Camboriú e Itapema estejam neste mapa? O que dizer de algumas centenas de apartamentos, em ambas, nunca ocupados, há meses e até anos?

Appel Home

A Appel Home concluiu a construção de um novo galpão logístico, que representa um salto na capacidade de armazenamento e organização de estoques da marca. Atualmente, a operação depende de galpões situados em endereços distintos, para suprir a demanda. Com 1.465 m2 de área construída e altura útil de 14,5m, o novo galpão foi projetado para consolidar em um único espaço o que hoje está pulverizado em estruturas diferentes. Ao todo, serão 3.200 endereços/pallet disponíveis, o que deve otimizar significativamente o trabalho logístico da empresa, eliminando a necessidade de deslocamento entre unidades e reduzindo o tempo de resposta em toda a cadeia, desde o recebimento à expedição.

Brasis

O Atlas da Mobilidade Social, plataforma pública desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social detectou que municípios que registram melhores indicadores educacionais tendem a reduzir as desigualdades de oportunidades. Um exemplo: enquanto em Assis Brasil, no Acre, 84,4% dos jovens oriundos de famílias que pertenciam aos 25% mais pobres permanecem nesse mesmo grupo de renda quando adultos, em Ponte Serrada, município catarinense de 10.650 habitantes, no Oeste do Estado, apenas 2,13% dos jovens permanecem nesse extrato de renda. O município acreano possui um dos piores resultados do país, já o catarinense evidencia um ambiente mais favorável à ascensão socioeconômica.

Convencidos?

Mais que jornalistas e alguns curiosos, ao abrir, pela primeira vez em SC, como fez recentemente, para quem quisesse ter a certeza (ou não) de que ela é confiável, a Justiça Eleitoral deveria ter convidado, também, experts em sistemas eletrônicos. Estes sim poderiam atestar tudo com mais credibilidade; não para leigos, ou um pouco mais que isso.

Ambiente escolar

O Programa Vida na Escola, desenvolvido pela Univali e prefeitura de Itajaí, está sendo visto como um modelo a ser replicado em outras regiões de SC. Com atendimento psicológico e serviço social no ambiente escolar, foi criado em 2025 e atualmente desenvolvido em 41 escolas de ensino fundamental, atendendo diretamente mais de 26,5 mil estudantes e aproximadamente 1,5 mil professores da rede, além de suas famílias.

Taxa de juros

O mercado financeiro reduziu as expectativas para os índices de inflação e, pela primeira vez desde março, da taxa básica de juros. Segundo o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a Selic deve fechar 2026 em 13,75%. As projeções para a economia (PIB) e o câmbio (dólar) neste ano vêm se mantendo estáveis há pelo menos cinco semanas, em 1,99% e R$ 5,20, respectivamente. Na semana passada, as expectativas do mercado eram que a Selic terminaria o ano em 14%, projeção 0,25 ponto percentual acima da apresentada pela autoridade monetária. A última vez em que as projeções do boletim indicaram queda foi em março de 2026. Quando a mediana caiu de 12,13% para 12%. As previsões da Selic para 2027 e 2028 se mantiveram estáveis, em 12% e 10,5%, respectivamente.

Primeiro cinema

Cidade que em futuro próximo estará entre as mais populosas de SC, Itapema vai ganhar seu primeiro cinema. Com capacidade para 200 lugares em duas salas, ficará no Garden Open Mall, que já está em construção, com investimento de R$ 80 milhões em 50 operações comerciais.

Impacto das telas

Para muitos pais que por demais preocupados com o assunto, uma boa notícia: o debate sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes já faz parte da agenda de oito em cada 10 escolas brasileiras, revela a nova edição da pesquisa TIC Educação, do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil. Segundo o levantamento, lançado recentemente, a proporção de instituições de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, que discutiram o tema em 2025 cresceu 18 pontos percentuais na comparação com 2024, passando de 62% para 80%.

“Made in Brazil”

Um novo levantamento, agora feito pela Folha de São Paulo a partir de dados de 2025, mostra que Ceará, Espirito Santo e SC são os entes da federação com exportações totais mais afetadas pelas tarifas de Donald Trump. SC exporta 12,1% dos seus produtos para os EUA e tem 80,7% das exportações tarifadas. Assim, 9,7% das vendas totais são impactadas. Detalhe: o grau de abertura da economia catarinense é de expressivos 45,3%.

Praias gordas

O engordamento de várias praias em SC tem sido notícia nacional de forma constante, uma vez que viraram moda. Mas nem tudo vem dando certo. Piçarras, por exemplo, fez quatro alargamentos desde 1998 e o último, a um custo de R$ 53 milhões, concluído em abril deste ano, causa apreensão porque o mar já cavou um paredão de areia de quase dois metros. Num levantamento nacional, o Estadão diz que nas praias de Canasvieiras, Ingleses e Jurerê, na Ilha de SC, estudos da UFSC do ano passado apontou piora na balneabilidade e mais risco de afogamentos. Conclui, ainda, que nenhuma das obras atingiu, de fato, os objetivos de proteção da costa, recreação e restauração ambiental. Quanto a Praia Central de Balneário Camboriú, cuja faixa de areia passou de 25 para 70 metros, houve redução com o movimento das marés e no ano passado foi necessária a construção de um muro subterrâneo de 6 mil metros de extensão para conter a erosão marinha e segurar a areia. Na vizinha Itapema a engorda envolve uma acalorada discussão porque ela será financiada pela outorga onerosa (taxa paga pelo construtor para aumentar em até 30% o tamanho do prédio).

Missão ao Paraguai avança em parcerias para logística no comércio exterior

O aproveitamento da estrutura portuária de Santa Catarina para o comércio exterior do Paraguai e a formatação de uma parceria para viabilizar melhorias na logística para fornecimento de insumos para a agroindústria catarinense estão entre os principais destaque da missão oficial liderada pelo Governo do Estado e pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) ao país vizinho.

“A aproximação estratégica traz benefícios tanto para SC como para o Paraguai. Existe um mercado com muito potencial para crescer no intercâmbio comercial com os catarinenses”, explicou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.

Logística em pauta
A Rota do Milho, iniciativa para garantir o abastecimento constante de milho ao polo agroindustrial de proteína animal no Oeste de Santa Catarina, foi um dos temas abordados. O milho lidera a pauta exportadora do Paraguai para SC e foi responsável por 15,2% do total vendido pelo país ao estado em 2025, com US$ 70,5 milhões.

Além do esforço para garantir o suprimento de grãos, a comitiva abriu frentes para a transferência de tecnologias catarinenses à agricultura paraguaia e para a criação de Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) conectadas aos portos do estado.

"Nossos grandes portos são opções muito competitivas de conexão com a Ásia e outros países para as importações e exportações do Paraguai, e avançamos ao abrir frentes para solidificar novas parcerias”, afirmou Seleme.

Complementaridade econômica
Os resultados da missão estão sustentados na forte sinergia entre os parques industriais de Santa Catarina e do Paraguai. Dados do Observatório FIESC apontam que, entre 2015 e 2025, o comércio de Santa Catarina com o Paraguai cresceu em ritmo muito superior à média nacional. No período, as exportações catarinenses subiram 99,1%, alcançando US$ 445,1 milhões em 2025, impulsionadas por bens de maior valor agregado, como cerâmica não vitrificada, máquinas e aparelhos mecânicos e equipamentos de refrigeração.

Em contrapartida, as importações catarinenses vindas do Paraguai deram um salto de 390,5%, entre 2015 e 2025 e atingiram US$ 464 milhões no ano passado. O milho lidera as compras, seguido por carne bovina, óleo de soja, tecidos para o polo têxtil do Vale do Itajaí e insumos metálicos como chumbo e sucata de cobre para o setor metalmecânico.

No âmbito da construção civil, a missão abriu frentes para atrair investimentos paraguaios ao setor imobiliário do litoral de Santa Catarina e impulsionar a venda de materiais catarinenses ao país vizinho. A transferência de tecnologias e soluções em infraestrutura para apoiar o forte ciclo de obras em expansão no Paraguai também foi debatida.

Próximos passos
Como desdobramento imediato dos compromissos assumidos em Assunção, equipes técnicas do Governo de Santa Catarina e da FIESC aprofundarão os estudos logísticos e regulatórios ao longo dos próximos meses. Uma nova agenda de aproximação está prevista para novembro, quando Santa Catarina sediará um encontro e seminário empresarial focado na relação com o Paraguai.


Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina - FIESC
Gerência de Comunicação

Declaração do imposto sobre imóveis rurais pode ser feita por internet

A Receita Federal disponibiliza a partir desta segunda-feira (10) a versão web do serviço Minhas Declarações do ITR, que permite preencher, transmitir, retificar e consultar online a Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), sem necessidade de instalar programas no computador.
O acesso será feito pelo Portal de Serviços da Receita Federal com conta gov.br nível prata ou ouro.

O uso da plataforma será obrigatório para pessoas jurídicas e físicas proprietárias de imóveis rurais com área superior a 100 hectares. Proprietários de áreas de até 100 hectares também poderão apresentar a declaração por meio do Programa Gerador da Declaração (PGD ITR 2026).

A DITR é o documento usado para informar à Receita Federal os dados cadastrais do imóvel rural e de seu titular, as áreas do imóvel e outras informações necessárias para a apuração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR).

Devem apresentar a declaração os proprietários, usufrutuários, titulares do domínio útil ou detentores de imóveis rurais, pessoas físicas ou jurídicas. Em situações específicas, a obrigação também alcança condôminos, compossuidores e inventariantes.

Segundo a Receita Federal, o ambiente digital reúne, em um único local, declarações, recibos e documentos relacionados ao ITR, além de oferecer recursos como pré-preenchimento de dados cadastrais e acesso por dispositivos móveis.

A entrega da DITR fora do prazo está sujeita à Multa por Atraso na Entrega da Declaração (Maed).

Inadimplência cai em Santa Catarina, mas endividamento sobe

Em julho de 2026, a inadimplência das famílias catarinenses caiu para 23,6%, ante 25,4% registrados em junho. A redução de 1,8 ponto percentual também ficou evidente na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o indicador era mais alto.

O resultado mantém Santa Catarina em patamar inferior ao índice nacional, que chegou a 29,8%. A média histórica do estado é de 22%, o que mostra que, apesar da melhora, o cenário ainda merece atenção.

Mesmo com a queda da inadimplência, o percentual de famílias endividadas aumentou para 76,9% em julho, alta de 0,6 ponto percentual em relação a junho. Esse foi o maior nível da série recente, embora o estado permaneça abaixo da média brasileira, de 82,0%.

Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela CNC em parceria com a Fecomércio SC. Para a entidade, o movimento indica melhora em alguns indicadores, mas ainda dentro de um ambiente de crédito pressionado.

A pesquisa também aponta avanço na capacidade de pagamento das famílias. A parcela que afirma não ter condições de quitar as dívidas em atraso caiu de 9,9% para 9,5%, permanecendo abaixo do percentual nacional.

Além disso, o comprometimento médio da renda com dívidas ficou em 29,9%, enquanto o tempo médio de atraso alcançou 62,6 dias. Os números reforçam a combinação de alívio pontual com persistência de compromissos financeiros elevados.

O cartão de crédito continua sendo a principal modalidade de dívida entre as famílias catarinenses, presente em 69,6% dos endividados. Ainda assim, houve recuo expressivo em relação ao ano anterior, sinalizando mudança no comportamento de consumo.

Em contrapartida, modalidades como crédito consignado e financiamento de veículos ganharam espaço. Segundo a análise, isso indica migração para linhas de crédito mais estruturadas e, em tese, com condições mais previsíveis para o orçamento doméstico.

Para o presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, a queda da inadimplência é um sinal positivo para a economia catarinense. Ele avalia que a melhora demonstra maior organização financeira das famílias.

A entidade, porém, destaca que os juros ainda estão em nível considerado proibitivo para o consumo e para o crescimento econômico. A expectativa é de que a trajetória de queda continue nos próximos períodos.

Redução da taxa de juros ainda é insuficiente, avaliam entidades

O quarto corte consecutivo na Taxa Selic, definido nesta quarta-feira (5) pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), foi bem recebido por agentes econômicos, mas ainda é considerado insuficiente e restritivo para a expansão do setor industrial.

Em nota, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) ressaltou que a continuidade do ciclo de redução da Selic representa um sinal positivo para a atividade econômica, mas que o nível ainda elevado da taxa mantém o crédito caro e atrasa investimentos.

"O elevado custo de capital posterga investimentos, dificulta a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de ganhar produtividade e competir nos mercados interno e externo. Esse quadro se reflete no desempenho da indústria de transformação, que cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)", disse a entidade.

Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses, e que Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia.

"A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação".

Entre as organizações de trabalhadores, a Força Sindical também classificou como insuficiente a redução de 0,25 ponto percentual na Selic. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e comprometem a geração de empregos.

"Perdemos uma excelente oportunidade de promover uma redução drástica da taxa de juros, dar uma injeção de ânimo no setor produtivo e alavancar mais a economia", disse a entidade, em nota.

Copom 
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu nesta quarta-feira (5) em 0,25 ponto percentual a Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, que passará de 14,25% para 14% ao ano.

Esta é a quarta vez consecutiva que o comitê reduz os juros. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília.

Segundo a instituição, o novo ajuste gradual de menos 0,25 ponto é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período.

Sobre o ambiente externo, o BC voltou a apontar o cenário de indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

Curso gratuito de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe está com inscrições abertas em Itapema

A Prefeitura de Itapema, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Habitação, segue com as inscrições abertas para mais uma capacitação gratuita do programa Itapema Qualifica, realizado em parceria com o SENAC/SC. Desta vez, a oportunidade é para o curso de Relacionamento Interpessoal e Trabalho em Equipe, voltado para quem deseja aprimorar competências comportamentais cada vez mais valorizadas pelo mercado de trabalho.

A formação tem como objetivo desenvolver habilidades essenciais para o ambiente profissional, como comunicação eficiente, cooperação, resolução de conflitos, inteligência emocional e convivência em equipe. O conteúdo também aborda princípios de etiqueta social e profissional, comunicação assertiva e técnicas para fortalecer o relacionamento interpessoal, contribuindo para um ambiente de trabalho mais produtivo, respeitoso e colaborativo.

Durante as aulas, os participantes aprenderão sobre os fundamentos do trabalho em equipe, compreendendo como a colaboração, a confiança e a união de diferentes habilidades podem potencializar resultados. O curso também apresenta estratégias para administrar conflitos de forma construtiva, além de explorar os principais elementos do processo de comunicação, identificando fatores que podem facilitar ou dificultar o entendimento entre as pessoas.

Outro destaque da capacitação é o desenvolvimento da comunicação assertiva, habilidade que permite expressar opiniões, necessidades e ideias com clareza, respeito e objetividade, fortalecendo as relações profissionais e pessoais.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Habitação, Nicko Silva, destacou a importância das capacitações para a formação profissional da população. " O Itapema Qualifica oferece oportunidades gratuitas para que a nossa população desenvolva essas competências e esteja cada vez mais preparada para conquistar uma vaga no mercado ou crescer na carreira", afirmou o secretário.

Inscrições e aulas
As inscrições podem ser realizadas presencialmente na Casa da Cidadania, localizada na Rua 216, nº 155, em Meia Praia, das 8h às 17h, ou de forma online pelo site qualifica.itapema.sc.gov.br. As vagas são gratuitas e serão preenchidas por ordem de inscrição. As aulas acontecerão nos dias 18, 20, 25 e 27 de agosto, além de 1º de setembro, na EMEB Bento Elói Garcia, localizada na Rua 402 B, nº 100, no bairro Morretes.

Juros altos agravam dificuldades da indústria, pondera CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera acertada a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. No entanto, pondera que os juros altos agravam as dificuldades da indústria e seguirão asfixiando empresas e famílias. 

“Não há justificativa compreensível para a manutenção da taxa de juros em um nível tão alto. A decisão do Banco Central piora a perspectiva para a indústria, já tão prejudicada pelas incertezas no cenário externo. Além disso, o crédito caro compromete gravemente a renda das famílias, que já apresentam níveis recordes de endividamento e inadimplência”, afirma Ricardo Alban, presidente da CNI. 

Juros continuam desproporcionais à trajetória da inflação
As expectativas de inflação apuradas pelo Boletim Focus vêm melhorando. Embora a projeção para o IPCA de 2026 seja de alta de 5,03%, as perspectivas para o índice em 2027 e 2028 continuam dentro do intervalo de tolerância da meta. Ao mesmo tempo, a inflação corrente vem perdendo força, o que deve continuar a ocorrer em julho. O IPCA-15, por exemplo, acumula alta de 4,52% em 12 meses até julho, resultado abaixo do observado no mês anterior (4,8%). Esses indicadores reforçam a leitura de acomodação das pressões de oferta e de demanda verificadas nos últimos meses. 

Além disso, a média dos núcleos de inflação de junho ficaram em 4,44% e apontam uma trajetória mais consistente com a meta de 3% da inflação, apesar da continuidade das incertezas geopolíticas e dos riscos climáticos.

Selic está 3,6 pontos percentuais acima do ideal
A CNI lembra que os juros estão em patamar restritivo há 55 meses. A Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor — estimada em 10,4%. Esta regra permite calcular uma taxa de juros que proporcione o controle da inflação sem desestimular o crescimento da economia. A taxa de juros real, aproximadamente de 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando que há espaço para cortes mais expressivos na Selic, sem prejuízos no combate à inflação. 

Real valorizado contribui para segurar a inflação 
Cabe destacar que, em um cenário marcado por tensões geopolíticas, o país segue atraindo investidores internacionais interessados no elevado diferencial de juros entre o Brasil e as economias desenvolvidas. O país continua oferecendo retorno atrativo para investidores internacionais, situação que contribui para a apreciação do real, que nos últimos doze meses se valorizou 8,6% frente ao dólar, o que ajudou a arrefecer o ímpeto inflacionário. 

Juros altos elevam endividamento e espremem margens
Consulta realizada pela CNI mostra que os juros devem trazer forte pressão financeira sobre o setor nos próximos três meses. Mais da metade das empresas (53%) prevê aumento na necessidade de financiamento para contas a pagar; 47% esperam pressão sobre contas a receber e 42% sobre estoques — sinais claros de elevação da necessidade de capital de giro. 

Entre as empresas que demandam mais capital, mais de 55% projetam encarecimento do crédito, e cerca de 39% devem ampliar o endividamento bancário. Como efeito direto do aperto, 58% antecipam redução das margens líquidas, comprometendo rentabilidade e capacidade de investimento. Para conter perdas, 51% tentarão manter preços para não perder competitividade frente a importados, enquanto 37% já planejam repassar custos ao valor final, o que pressiona a inflação. Segundo os empresários, os juros atuais funcionam como um “imposto invisível” que inviabiliza investimentos, freia contratações e desvia recursos para aplicações financeiras em vez da produção.

Taxas de juros e endividamento das famílias
O elevado nível de juros no crédito livre também encarece o refinanciamento das dívidas familiares. O resultado é o endividamento em patamar crítico e o comprometimento da renda, reduzindo recursos para consumo essencial e ampliando o risco de superendividamento. O "Desenrola 2.0" trata, sobretudo, o sintoma, sem atacar causas estruturais, como a baixa educação financeira e o elevado nível das taxas de juros. 

Aumento de etanol na gasolina divide opiniões sobre impacto em carros

Aprovado recentemente pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32% (E32) reacendeu o debate sobre os efeitos da medida tanto para o bolso dos consumidores como para o funcionamento dos veículos.
Contrário à mudança, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública para suspender a decisão do CNPE até que estudos específicos comprovem a segurança da nova mistura para os motores da frota brasileira.

Já a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a ampliação da mistura fortalece a segurança energética do país, reduz a dependência de gasolina importada e ajuda a conter preços ao consumidor.

MPF
De acordo com o MPF, os estudos que embasaram a nova configuração da gasolina (com 32% de etanol) não demonstraram, de forma conclusiva, os impactos do E32 sobre durabilidade de componentes, emissões, autonomia e compatibilidade com diferentes tipos de veículos.

Na ação, o MPF aponta riscos de corrosão de peças, desgaste de bombas de combustível e falhas em sistemas de injeção eletrônica, especialmente em motocicletas, veículos antigos e modelos importados.

Os procuradores argumentam, ainda, que os estudos usados foram elaborados para o E30 e não para validar especificamente a adoção permanente do E32.

Por fim, o MPF argumenta que faltam estudos sobre impactos ambientais indiretos e pede perícia técnica independente.

Unica
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento do percentual de etanol na gasolina é algo positivo porque favorece a segurança energética do país, além de reduzir a necessidade de importação de gasolina.

Além disso, acrescenta a Unica, não há evidências, nos resultados obtidos, de impactos sobre desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo, emissões ou funcionamento dos veículos em decorrência da adoção do E32.

A entidade lembra que o E32 foi avaliado em estudos coordenados pelo Ministério de Minas e Energia e realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os testes foram feitos em veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, fabricados entre 1994 e 2024.

Mesmo os veículos mais antigos avaliados não apresentaram impactos em partida, marcha lenta, aceleração ou dirigibilidade com a utilização do E32, acrescentou ao destacar que não foram identificados impactos relevantes em desempenho, consumo, dirigibilidade, partidas a frio ou funcionamento dos motores.

Além dos aspectos técnicos, a entidade sustenta que o aumento da participação do etanol pode beneficiar os consumidores ao reduzir a dependência de gasolina importada.

A estimativa é que o país deixe de importar cerca de 800 milhões de litros de gasolina por ano. Segundo a Unica, sem a presença do etanol no mercado nacional, o custo dos combustíveis teria aumentado em R$ 8 bilhões apenas nos últimos três meses.

Mais de 40% das indústrias migraram para o mercado livre de energia em 2 anos, aponta CNI

Pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 41% das indústrias brasileiras migraram para o mercado livre de energia desde 2024, quando entrou em vigor a norma do Ministério de Minas e Energia (MME) que ampliou o acesso dos consumidores ao ambiente de livre contratação. De acordo com os dados, 73% dos empresários que trocaram o mercado cativo pelo livre notaram redução dos custos com as tarifas de energia elétrica.

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada nesta quinta-feira (30) pela CNI, revela que 30% das empresas consideram a migração para o mercado livre como a principal estratégia para reduzir o custo da conta de luz. Os dados apontam ainda que, em meio a um cenário de oscilações no setor elétrico impulsionado pela alta demanda global e por conflitos geopolíticos, o interesse das empresas pelo mercado livre de energia aumentou.

Apesar desse avanço, ainda há grande potencial para expansão desse mercado. Entre as empresas atendidas em baixa tensão que permanecem no mercado cativo, 37% demonstram interesse em migrar para o mercado livre. Os dados reforçam que a abertura gradual do setor tende a ampliar a competitividade das indústrias.

A pesquisa revela que, entre as grandes indústrias atendidas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre. Entre as pequenas empresas, 22% informam atuar nesse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado cativo.

Os dados indicam também que 79% das indústrias utilizam a energia elétrica como principal insumo energético em seus processos produtivos. O custo da energia é apontado pelos industriais como um dos principais desafios do setor.

Confira a pesquisa: https://static.portaldaindustria.com.br/portaldaindustria/noticias/media/filer_public/43/8d/438d1f97-f43e-435f-83e2-f0a4118f1646/sondagem_cni_industria_e_energia_2026.pdf

Sondagem CNI Indústria e Energia 2026.pdf(6,1 MB)
“A pesquisa mostra a importância do custo da energia para a competitividade da indústria e que o caminho escolhido pelas empresas para diminuir as tarifas passa pela migração ao mercado livre”, destaca o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.

“Além disso, precisamos melhorar o sinal de preços com a adoção de tarifas dinâmicas, que possam variar de acordo com a geração, o horário e a demanda dos consumidores. Associado a isso é imprescindível revisarmos a grande quantidade de subsídios que encarecem a conta de energia”, acrescenta o gerente da CNI.

83% das empresas dizem que custo da energia é importante para a competitividade
Segundo a sondagem, 62% dos industriais indicaram que houve algum impacto da variação dos preços de energia elétrica nos últimos 12 meses. Para 83% deles, a conta de luz é um fator imprescindível para a competitividade. Outros 67% consideram que o aumento das tarifas impacta diretamente os custos de produção.

O aumento da conta de luz foi apontado por 3% das empresas como alto (acima de 30% de reajuste). Para 20%, o impacto foi considerado médio (acima de 10% de aumento), enquanto para 39%, o impacto foi considerado baixo (abaixo de 10% de aumento).

Quase duas em cada três empresas (64%) investiram em alguma forma de economizar energia ou na diminuição dos custos tarifários. A principal opção apontada foi a migração para o mercado livre, apontada por 30% das indústrias.

Investimentos em autogeração e eficiência energética
Já os investimentos em autogeração e ações de eficiência energética foram elencados como alternativas para 13% das empresas respondentes. Outros 28% não tomaram nenhuma medida para otimização energética de seus processos produtivos.

O setor de produtos de borracha foi o que mais investiu na opção de autogeração (25% das empresas) e na migração para o mercado livre (38% das empresas). O setor que mais migrou para o mercado livre foi o calçadista (47% das empresas). O setor de equipamentos de informática e produtos eletrônicos, por sua vez, foi o que mais investiu em eficiência energética (25% das empresas).

A Sondagem Especial Indústria e Energia foi realizada em abril pela CNI, junto a 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação, sendo 601 pequenas, 529 médias e 368 grandes empresas.

Energia cara: quem vai pagar essa conta?

A energia elétrica é o principal insumo da indústria brasileira e um fator decisivo para a competitividade da economia. O Brasil reúne condições privilegiadas: tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com mais de 85% da geração proveniente de fontes renováveis, e vem ampliando rapidamente a participação da energia solar e eólica. Ainda assim, convivemos com um paradoxo difícil de justificar. Produzimos energia a baixo custo, mas pagamos uma das tarifas mais altas do mundo.

A principal explicação para essa distorção não está no custo de geração, transmissão ou distribuição, mas no crescimento contínuo dos encargos setoriais, subsídios e tributos embutidos na conta de luz. Hoje, cerca de 40% da tarifa corresponde a impostos e encargos setoriais, percentual que compromete a competitividade da indústria, reduz investimentos e encarece a produção nacional. A Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), principal mecanismo de financiamento de subsídios do setor, ilustra essa escalada: seu orçamento passou de R$ 14 bilhões em 2013 para mais de R$ 52 bilhões previstos para 2026.

O Brasil segue um caminho que vai na contramão da racionalidade e do razoável. Ao longo dos anos, diferentes políticas públicas foram incorporadas à tarifa de energia por meio de encargos criados, muitas vezes, com objetivos legítimos. O problema é que esses mecanismos se acumularam sem revisões periódicas, transformando-se em um conjunto de subsídios permanentes que pesa sobre consumidores e empresas. Criar encargos tornou-se politicamente mais fácil do que financiá-los pelo orçamento público, reduzindo a transparência e perpetuando distorções econômicas.

A facilidade política para criar encargos contrasta com a enorme dificuldade para sua revisão ou eliminação. Essa é a razão pela qual se prefere garantir subsídios via encargos, que não passam pelo escrutínio político na análise do orçamento público, em detrimento do uso de recursos orçamentários. Assim, os encargos setoriais acabam financiando políticas e subsídios que tendem a se perpetuar, mesmo quando perdem a eficiência econômica.

A redução desse peso sobre a conta de luz é uma das principais propostas da indústria brasileira para o próximo mandato presidencial. Este tópico está destacado como a prioridade no documento que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou aos pré-candidatos à Presidência da República, em evento realizado em junho.

No fim do século passado, nosso sistema elétrico era considerado um dos mais eficientes do mundo. Os grandes reservatórios hidrelétricos e um sistema interligado por uma ampla rede de transmissão garantiam a segurança e o baixo custo da eletricidade. Essa situação representava uma importante vantagem competitiva para a economia brasileira e para a indústria.

Infelizmente, esse tempo passou. A energia elétrica, agora, é cara. O recente histórico de intervenções no setor aliado às questões de gestão e de planejamento desestabilizaram o modelo, gerando complexidade, judicialização e enormes passivos financeiros. 

O PL 5017/2019 foi aprovado recentemente na Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado Federal, determinando a criação de mais subsídios e contratações compulsórias de geração que novamente irão aumentar a tarifa de energia, sem que critérios técnicos ou econômicos sejam considerados. 

O novo texto aprovado na Comissão de Serviços de Infraestrutura pegou o setor elétrico de surpresa. Estimativas da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia apontam que o custo acumulado com esses novos penduricalhos da conta de luz chegará a R$ 1,5 trilhão no acumulado na conta de luz até 2057, caso o Congresso Nacional aprove o projeto que prevê a contratação obrigatória de termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas, entre outros dispositivos.

Trata-se de um caminho incompatível com a necessidade urgente de reduzir o Custo Brasil. A indústria é o setor da economia mais sensível ao preço dos insumos energéticos, devido à elevada participação da energia no custo total de produção. A racionalização dos encargos, a redução gradual de subsídios que já não se justificam, o aperfeiçoamento da formação de preços e a ampliação da concorrência devem integrar uma agenda consistente de reformas.

O Brasil não pode desperdiçar a vantagem de ter uma das matrizes elétricas mais renováveis e competitivas do planeta. A energia precisa voltar a ser um diferencial para impulsionar a indústria, atrair investimentos e acelerar o crescimento econômico. Isso exige coragem para enfrentar privilégios, revisar subsídios e construir um setor elétrico mais transparente, eficiente e sustentável. Reduzir os penduricalhos da conta de luz não é apenas uma necessidade para os consumidores, mas uma condição indispensável para devolver competitividade à economia brasileira.

*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O artigo foi publicado na Folha de S. Paulo, no dia 30 de julho de 2026.

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